Estudo com 140 milhões de faces monitoradas revela alta de 20% desde maio de 2026. São cerca de 5 mil novos registros por dia, 200 por hora e três por minuto.
Mais de 3,6 milhões de registros biométricos de faces estavam associados a tentativas de fraude de identidade no Brasil em setembro de 2026, segundo levantamento feito pela empresa responsável pelo estudo. O volume cresceu 20% desde maio de 2026, mas os números não representam necessariamente a quantidade de pessoas diferentes envolvidas nos casos.
O estudo foi realizado a partir de uma base de 140 milhões de faces monitoradas. Na comparação com maio de 2026, a variação correspondeu a aproximadamente 5 mil novos registros por dia, 200 por hora ou três por minuto. A empresa ressaltou que o número pode estar abaixo da realidade, pois considerou apenas tentativas identificadas em ambientes monitorados por suas soluções.
As tentativas de fraude concentraram-se, principalmente, em operações vinculadas a instituições financeiras. Entre os métodos empregados pelos golpistas estavam o uso de rostos reais capturados em tentativas anteriores e imagens manipuladas por inteligência artificial, com o objetivo de abrir contas falsas ou contratar serviços em nome de terceiros.
Durante processos de verificação de identidade, como na abertura de contas digitais, o rosto capturado era transformado em um código matemático criptografado — o chamado template biométrico. Segundo o levantamento, esse template permitia reconhecer a mesma face em novas tentativas sem possibilitar a reconstrução da fotografia original. Quando uma identidade era relacionada a uma tentativa de fraude, o registro recebia uma restrição.
Um rosto sinalizado por uma instituição deixa de ser novidade para as demais. Quando o fraudador é barrado ao tentar abrir conta em um banco, o registro dele protege a próxima empresa que receber a mesma tentativa.
Dilson de Sá, CEO da CertiFace, em nota.
Com 3,6 milhões de registros, a base funciona como uma memória coletiva do mercado, e quanto mais empresas consultam, mais caro fica para o fraudador insistir.
Dilson de Sá, CEO da CertiFace, em nota.
O levantamento descreveu também mecanismos adotados para mitigar as tentativas: análise de padrões comportamentais em tempo real; revisão dos registros associados a restrições; possibilidade de correção de dados; e processos de contestação para casos em que uma pessoa tenha sido sinalizada por engano. Esses mecanismos visavam tanto impedir fraudes quanto proteger titulares legítimos cujos dados pudessem ser incorretamente associados a tentativas ilícitas.
A empresa declarou que suas operações seguiam a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e que os modelos utilizados não tinham como objetivo criar rankings públicos. O foco, segundo a comunicação oficial, estava na proteção do titular legítimo da identidade, com mecanismos de revisão, correção e contestação de dados para quem fosse sinalizado por engano.
O levantamento considerou apenas ocorrências identificadas nos ambientes monitorados pela empresa e, por isso, destacou que o volume registrado tendia a ficar abaixo do total real de tentativas de fraude. Para organizações e consumidores, a mensagem prática do estudo foi clara: a colaboração entre empresas e o uso de sinalizações compartilhadas podem elevar o custo operacional do crime e reduzir o sucesso de tentativas repetidas.


Fonte: Olhar Digital
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