O mercado chega a novembro cauteloso após quedas em outubro e o hack bilionário da Binance. Analistas destacam projetos com geração de receita, recompra de tokens e maior adoção institucional como oportunidades.
O mercado de criptomoedas chega a novembro em um cenário de maior cautela, após um outubro marcado por quedas nos principais ativos e pelo aumento das incertezas econômicas. O Bitcoin perdeu cerca de 10% no mês, o Ethereum recuou 8% e a Solana caiu 20%, impactos que vieram também na esteira do hack bilionário da Binance no dia 29. Apesar do desempenho negativo, analistas avaliam que alguns projetos podem se destacar nas próximas semanas, sobretudo aqueles com geração de receita, mecanismos de recompra de tokens e avanços na adoção institucional.
O principal fator de atenção no início do mês será as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. Uma eventual mudança no controle do Congresso pode alterar as perspectivas para a agenda regulatória das criptomoedas, que avançou durante o governo anterior. A possibilidade de uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã também aparece entre os riscos para os mercados.
Na reunião de 28 de outubro, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,75% e 4%, mas sinalizou que a inflação segue elevada. Para André Franco, fundador da Boost Research, o ambiente de juros altos torna ainda mais importante selecionar criptomoedas com fundamentos sólidos e geração real de valor, em vez de projetos dependentes exclusivamente da entrada de novos investidores.
A avaliação é compartilhada por Guilherme Fais, diretor financeiro da Bybit para a América Latina. Segundo ele, o mercado continua sensível às expectativas econômicas e às mudanças na liquidez global, mesmo com o crescimento da participação institucional. Já Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, destaca que novembro pode oferecer oportunidades em ativos que conseguem transformar o crescimento de suas operações em demanda pelos próprios tokens.
Entre os projetos citados pelos analistas, alguns se sobressaem por modelos de receita claros, mecanismos de recompra e catalisadores institucionais ou tecnológicos. Abaixo estão as criptomoedas apontadas nas análises como apostas a serem acompanhadas em novembro.
1. Hyperliquid – plataforma de contratos perpétuos com geração de receita e mecanismo de recompra que vem ganhando atenção institucional.
2. NEAR Protocol – foco em interoperabilidade e aplicações de inteligência artificial, com volumes crescentes no NEAR Intents e uso de taxas para recompras.
3. Uniswap – destaque por seu papel na infraestrutura de mercado e por catalisadores que podem ampliar sua geração de receita.
No caso da Hyperliquid, os analistas apontam fatores concretos: em outubro a plataforma realizou o primeiro pagamento do seu mecanismo de recompra financiado pelas reservas em USDC, movimentando US$ 14,6 milhões, acima das estimativas iniciais. A parceria anunciada entre uma das operadoras da Hyperliquid e a Intercontinental Exchange (ICE) para desenvolver um ambiente regulado de negociação de contratos perpétuos nos Estados Unidos é vista como um potencial catalisador, sujeito à aprovação da autoridade regulatória competente. Fontes também destaca que nos últimos 30 dias aproximadamente US$ 63,9 milhões foram utilizados para adquirir HYPE no mercado, enquanto as recompras acumuladas ultrapassaram US$ 1,39 bilhão; por outro lado, existe um desbloqueio programado de 9,92 milhões de unidades em 6 de novembro, avaliadas em cerca de US$ 900 milhões, que representa um risco de pressão sobre o preço caso parcela relevante seja vendida.
Sobre o NEAR Protocol, o ativo acumula valorização próxima de 213% em 2026, impulsionado pelo reposicionamento do projeto para aplicações de inteligência artificial. Após uma correção de cerca de 20% em relação à máxima anual próxima de US$ 6, analistas consideram que o token exibe uma relação risco-retorno atraente. O volume movimentado pelo NEAR Intents passou de US$ 2,4 bilhões em julho para US$ 4,8 bilhões em setembro, totalizando US$ 10,4 bilhões no terceiro trimestre, e parte das taxas geradas pelo serviço é utilizada para recomprar NEAR no mercado. A integração do NEAR AI Cloud com ferramentas como OpenRouter e o navegador Brave também aparece como fator positivo para a demanda pela infraestrutura.
Os investidores interessados devem combinar essa leitura de cenários com gestão de risco adequada: eventos macro, decisões regulatórias e desbloqueios de tokens podem alterar rapidamente dinâmicas de preço. Selecionar projetos com receitas recorrentes, transparência em recompras e avanços reais em adoção institucional tende a ser a abordagem mais prática em um mês marcado por incertezas.
Fonte: Portal do Bitcoin
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