O resultado do 2º trimestre e o novo guidance do Banco do Brasil devem provocar volatilidade e movimentos de venda nesta sexta-feira (15), segundo o WarrenAI, consultor de investimentos de IA do Investing.com. Investidores devem revisar projeções para o segundo semestre de 2025 e para 2026.
Apesar de o papel ter subido 2,96% na quinta-feira (14), para R$ 19,85, antes do balanço, o movimento foi visto como ajuste técnico. Indicadores de curto prazo ainda apontam “compra forte”, mas o consenso semanal e mensal segue em “venda forte”.
O WarrenAI aponta que o valuation segue atrativo (P/L de 4,0x e dividend yield de 11,3% em 2024), mas alerta para previsões negativas: queda de 28,1% no lucro e de 2,0% na receita para 2025, com risco de novas revisões para baixo.
Balanço e guidance
O banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, queda de 60% em relação a 2024 e 25% abaixo das expectativas. O ROE despencou para 8,4% (de 21,6% há um ano), refletindo provisões elevadas, sobretudo no agro e em pequenas e médias empresas. Para comparação: Itaú teve ROE de 23,3%, Santander 16,4% e Bradesco 14,6%.
O guidance de lucro para 2025 foi cortado para R$ 21-25 bilhões, redução de quase R$ 14 bilhões em relação à previsão anterior. O payout de dividendos caiu de 40%-45% para 30%, reduzindo o apelo para investidores focados em renda.
Análise
Renato A. F. Reis, da Blue3 Research, destacou três pontos críticos:
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Lucro inflado: IR de apenas 2% elevou artificialmente o resultado; com alíquota normal, teria sido cerca de R$ 2 bilhões.
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Crédito e spreads: manutenção de crédito agressivo, mas provisões altas reduziram o spread ajustado.
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Inadimplência: queda no agro após forte provisão, mas alta em PF e PJ sem cobertura proporcional, aumentando o risco futuro.
Segundo Reis, o banco “sai de um problema e entra em outro” e metade do guidance de lucro pode vir de IR diferido.
O que acompanhar hoje:
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Teleconferência às 11h (foco no agro e recuperação de crédito).
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Relatórios de corretoras até o meio-dia.
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Impacto no Ibovespa (peso de ~2%).
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Movimento da curva de juros DI.
O dia será um teste para a confiança no Banco do Brasil: cenário de curto prazo negativo, mas com chance de reação técnica se o discurso da gestão aliviar temores.
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