Ivo Sechi Nazareno, secretário de Leilões da Aneel, afirmou que os certames previstos para 2027 podem superar R$50 bilhões, após o último leilão de 2026 na B3. Concorrentes devem comprovar capacidade técnica e financeira.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê a realização de três leilões de transmissão de energia no próximo ano, uma programação que deve movimentar investimentos e exigir preparo técnico e financeiro dos concorrentes. A estimativa foi apresentada nesta sexta-feira (30) por Ivo Sechi Nazareno, secretário de Leilões da Aneel, logo após a participação no último leilão de transmissão de 2026, realizado na manhã desta sexta-feira na B3.
Segundo Nazareno, os certames de 2027 poderão superar os R$ 50 bilhões em investimentos, sinalizando contratos de grande porte e projetos de maior complexidade tecnológica. O calendário anunciado prevê um primeiro leilão em abril e dois outros no segundo semestre, em outubro e dezembro, com características técnicas distintas entre si.
“Para o segundo semestre [de 2027], há uma expectativa de duas licitações de transmissão, uma envolvendo o sistema de corrente contínua e tecnologia inédita, VSC. Em detrimento das tecnologias das contratações anteriores que são diferentes, ela é mais complexa, elaborada e mais moderna.
O leilão de outubro deverá envolver o novo sistema de transmissão em corrente contínua com tecnologia VSC (Voltage Source Converter), apontada como uma alternativa mais moderna e sofisticada em relação às contratações anteriores. O certame de dezembro ficará voltado para projetos em corrente alternada, completando a agenda do ano.
“Provavelmente esses contratos que se originarem desse leilão serão os maiores que o Brasil já contratou em transmissão”
O diretor da Aneel adiantou que os dois leilões do segundo semestre serão instruídos em conjunto, com provável segregação de atividades entre eles. A orientação de instruir os processos de forma conjunta busca integrar a análise técnica e a modelagem contratual, considerando a complexidade da tecnologia VSC e o porte dos investimentos previstos.
“Vão ser dois leilões instruídos de forma conjunta com provável segregação de atividades, um em outubro, provavelmente o de corrente contínua, e outro em dezembro, que será o de corrente alternada”
Para empresas e investidores, a previsão de três certames em 2027 exige planejamento: avaliação da capacidade técnica para projetos com tecnologia VSC, estruturação de garantias e estudos de viabilidade econômica serão pontos-chave. Para gestores públicos e reguladores, a expectativa é que os leilões resultem em contratos robustos, capazes de ampliar a infraestrutura de transmissão e atender a demandas futuras do sistema elétrico.
O horizonte anunciado destaca a modernização da malha de transmissão e a possibilidade de atração de recursos significativos ao setor elétrico. Mantendo-se o cronograma previsto pela Aneel, abril, outubro e dezembro de 2027 serão meses decisivos para o mercado de transmissão de energia no país.
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