A companhia aérea Gol anunciou na noite de quinta-feira (23) que a Abra Group, holding controladora, comunicou à Azul o fim das discussões sobre uma possível fusão entre as duas empresas. A decisão ocorre meses após os primeiros contatos sobre a operação e em meio a críticas do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) à conduta das companhias.
Segundo fato relevante publicado pela Gol, a Abra informou que não houve avanços significativos nas conversas devido ao foco da Azul em seu processo de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos. A holding acrescentou ainda que as tratativas iniciais aconteceram em “outro cenário e momento das empresas, que não é mais o mesmo”.
Além de encerrar as negociações de fusão, a Gol também solicitou à Azul a rescisão dos acordos de codeshare firmados em maio de 2024, que permitiam a integração das malhas aéreas no Brasil. Esses acordos vinham sendo alvo de críticas do Cade.
No início de setembro, o órgão antitruste deu prazo de 30 dias para que as empresas notificassem oficialmente o acordo, proibindo sua expansão até a análise. Caso contrário, a operação poderia ser considerada como prática de “gun jumping” a partir de maio de 2026. O presidente do Cade, Gustavo Augusto de Lima, chegou a repreender publicamente as companhias por divulgarem amplamente os planos sem a devida comunicação ao órgão.
Se levada adiante, a fusão entre Gol e Azul representaria uma participação de cerca de 60% do mercado doméstico, ultrapassando a Latam, que detém 40%, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Em comunicado, a Azul destacou que segue comprometida com o fortalecimento de sua estrutura de capital. Ambas as empresas confirmaram que todas as passagens emitidas durante a vigência do codeshare serão honradas.
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