Mediadas por Catar e Paquistão, as conversas diretas foram abertas por JD Vance, que anunciou 'grandes avanços'. O objetivo é transformar relações entre os dois países.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, descreveu como “histórica” a reunião que teve início no domingo (21) na Suíça, com o intuito de concretizar um memorando de entendimento estabelecido durante a semana, visando ao fim da guerra no Oriente Médio. Em suas palavras, Vance destacou que “grandes avanços nas últimas horas” foram alcançados nas negociações.
“O que o presidente [Donald Trump] nos pediu para fazer é virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano”, afirmou JD Vance, ao abrir as negociações diretas entre os dois países, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, em um luxuoso resort nos Alpes suíços.
O vice-presidente americano enfatizou que, se os dirigentes iranianos estiverem dispostos a abandonar seu papel como fator de instabilidade regional e renunciar a qualquer ambição nuclear, os Estados Unidos estão prontos para alterar fundamentalmente suas relações com o Irã.
As negociações têm como objetivo encerrar a guerra no Oriente Médio, que foi desencadeada pelos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro. Os temas centrais das discussões incluem a guerra no Líbano e as preocupações sobre o programa nuclear iraniano.
JD Vance chegou à Suíça na manhã de domingo, conforme informado por seu porta-voz, e as negociações ocorrem em um hotel de luxo na montanha de Bürgenstock, que oferece uma vista deslumbrante do lago de Lucerna. A delegação iraniana chegou um dia antes e é composta por importantes autoridades, incluindo o principal negociador Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati.
A delegação do Paquistão, que atua como mediadora, também chegou no domingo e conta com a presença do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do comandante do Exército, Asim Munir.
A retomada das negociações ocorre em meio a tensões, pois o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem vital para o comércio mundial de petróleo. O acordo-quadro assinado por Teerã e Washington estabelece um período de 60 dias, renovável, para discutir questões como o programa nuclear e um cessar-fogo no Líbano entre Israel e o Hezbollah.
O fechamento do estreito representa um desafio para a segurança nas rotas comerciais e está diretamente ligado ao protocolo de acordo entre os dois países. O Irã havia bloqueado essa via no início da guerra, afetando significativamente o fluxo de hidrocarbonetos e, consequentemente, os preços do petróleo.
O comando americano para o Oriente Médio, Centcom, afirmou que suas forças permanecem “vigilantes” e que 55 navios mercantes conseguiram cruzar o estreito em segurança no último sábado. As operações israelenses no Líbano, motivadas pela busca de retaliar a morte do líder supremo iraniano, resultaram em um número significativo de vítimas, conforme relatado pelo Ministério da Saúde.
“Apesar de tudo, a situação está melhorando”, assegurou JD Vance antes de sua viagem à Suíça.

