O Banco da Inglaterra projetou que a inflação britânica ultrapassará os 4% no início de 2027 ao manter a taxa de juros em 3,75% nesta quinta-feira, e o presidente Andrew Bailey alertou que um conflito prolongado no Oriente Médio poderá exigir uma política monetária mais restritiva. O Comitê de Política Monetária votou novamente por 6 a 3 pela manutenção dos juros, com três membros votando a favor de um aumento para 4%.
Na ata da reunião, o tom do banco central mudou de forma clara em relação às avaliações anteriores. A autoridade monetária afirmou que os riscos de inflação se inclinaram ainda mais para uma alta desde a publicação de suas previsões econômicas em julho, destacando semelhanças recentes entre a evolução dos preços de energia e o seu cenário “adverso”, com risco de consolidação da inflação.
“Até o momento, os custos globais de energia mais altos tiveram um efeito limitado sobre a formação de preços e salários no Reino Unido. Mas quanto mais tempo essa volatilidade persistir, maior será o impacto sobre a inflação e mais provável será que precisemos elevar a taxa básica de juros para garantir que a inflação retorne à nossa meta de 2%”, afirmou Andrew Bailey.
O banco observou que, por enquanto, não há sinais de pressão persistente no mercado de trabalho ou na formação de preços pelas empresas, mas ressaltou que o risco está aumentando. A inflação ficou em 3,1% em agosto, e o banco central indicou que a inflação pode “agora atingir um pouco mais de 4% no início de 2027”, ante a projeção anterior de um pico de 3,2% no final de 2026.
“Dado o atraso com que os efeitos de segunda ordem se manifestaram, não era apropriado esperar muito tempo por evidências desses efeitos antes de responder com medidas de política monetária”, afirmou o banco central.
Além da trajetória dos juros, o Banco da Inglaterra reformulou seu plano de reduzir o estoque de títulos do governo acumulados em tentativas anteriores de estímulo: suspenderá, por enquanto, as vendas desses títulos ao mercado. A decisão combina cautela na retirada de estímulos com a flexibilidade para reagir a novos choques, como oscilações persistentes nos preços de energia.
O movimento ocorre em meio a um cenário político e fiscal sensível: o primeiro-ministro Andy Burnham e o ministro das Finanças, John Healey, enfrentarão o desafio de transmitir confiança sobre as perspectivas econômicas antes do orçamento marcado para 28 de outubro. O Banco da Inglaterra também elevou sua estimativa de crescimento trimestral para o terceiro trimestre, de 0,1% para 0,4%.
Para famílias e empresas, a mensagem é de vigilância. Mudanças nas perspectivas para a taxa de juros influenciam custo de crédito, decisões de investimento e planejamento orçamentário. Recomenda-se revisar compromissos financeiros, avaliar exposição a juros variáveis e manter reservas de liquidez adequadas, enquanto se acompanha de perto novas sinalizações do banco central e dados de inflação.

Fonte: InfoMoney – Mercado
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