O sistema de pagamentos Pix está fora da mesa de negociação com os Estados Unidos. O ministro Dario Durigan foi categórico ao defender o sistema como símbolo da soberania financeira brasileira.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou nesta terça-feira, 2 de junho, que o sistema de pagamentos Pix não fará parte de qualquer mesa de negociação relacionada à proposta de taxação de 25% anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em 1º de junho.
Segundo Durigan, “o Pix, como símbolo maior da nossa soberania financeira, não está em nenhum momento em questão para debate.” Essa declaração vem em um momento em que o sistema de pagamentos brasileiro tem sido alvo de críticas e propostas de taxação por parte de autoridades norte-americanas, que, segundo o ministro, buscam favorecer grandes empresas de pagamentos estadunidenses.
“Há um orgulho do nosso país, do nosso povo, porque, de fato, a gente inovou e gerou uma tecnologia que, hoje, é cobiçada e invejada por outros países,” disse Durigan.
O ministro destacou que o modelo democrático e gratuito do Pix é uma das razões pelas quais ele atrai o interesse de países europeus e latino-americanos. Ele mencionou que a facilidade de uso e a gratuidade do sistema são características que têm conquistado a adesão de muitos usuários.
“Mas interesses privados, interesses particulares se sentem contrários com essa universalização, com essa abertura de um meio de pagamento que é muito democrático,” afirmou.
Durigan também fez uma conexão entre as pressões norte-americanas contra o sistema de pagamentos brasileiros e a atuação da oposição brasileira no exterior, mencionando que a família Bolsonaro tem feito movimentos contrários ao Pix. Ele declarou: “Mais uma vez, a família Bolsonaro faz o movimento contrário ao Pix. O Pix é expresso nas investigações que foram abertas pelos Estados Unidos em relação à Seção 301. Mas é evidente que o Pix está fora de debate.”
O foco, segundo Durigan, deve ser proteger a economia e os empregos do Brasil. “Esse é o momento de a gente focar no que é importante: mitigar o impacto da guerra no Irã, ajudar os empresários que estão sendo alvo de uma empreitada injusta da oposição, que está colocando o interesse eleitoral na frente do interesse nacional,” enfatizou.
O ministro também comentou que os argumentos técnicos apresentados pelos Estados Unidos para justificar a tarifa são “desatualizados” e baseados em uma “contaminação política”. Ele expressou otimismo em relação às negociações tarifárias em andamento com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), visando atualizar as informações que foram repassadas aos Estados Unidos e reverter a medida unilateral.
“Nós vamos explicar que o desmatamento que esse governo tem combatido, que o trabalho no Brasil melhorou, a renda das famílias melhorou, o trabalho não é precário, e que a propriedade intelectual é respeitada no Brasil,” concluiu Durigan.
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