O ministro Dario Durigan anunciou conversas com os EUA após o país classificar PCC e CV como organizações terroristas. A medida preocupa o Brasil pelo risco de sanções ao sistema financeiro e ao Pix.
Na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que iniciará conversas com representantes dos Estados Unidos para discutir a recente decisão do governo norte-americano de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas internacionais. Essa classificação gerou preocupações sobre os impactos que essa medida poderá ter no Brasil, especialmente em relação ao sistema financeiro e à operação do Pix.
Durante uma entrevista à rádio CBN, Durigan ressaltou que a classificação pode levar a sanções a bancos brasileiros, o que poderia afetar diretamente a movimentação financeira no país. Ele afirmou:
“Veja, basta você ter uma alegação, uma visita da família Bolsonaro, uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. Aí a autoridade norte-americana pode dizer o seguinte: ‘Então esse banco está sancionado pelo Tesouro norte-americano, ele não pode operar com o Pix, porque o Pix tem sido usado para movimentar dinheiro de facção criminosa’.”
O ministro também comentou sobre o impacto das facções criminosas no Brasil, que ele definiu como um
“terror social”
. Segundo Durigan, essa situação resulta em prejuízos significativos aos serviços públicos. Contudo, ele destacou que as organizações não ameaçam a soberania dos Estados Unidos, o que é um critério fundamental para a classificação como grupo terrorista na legislação americana. Ele descreveu a decisão como uma
“forçação de barra”
e mencionou que o próprio Departamento de Estado dos EUA reconhece a atuação do PCC e CV em 12 estados americanos.
A discussão sobre a nova classificação e suas possíveis consequências continua, com Durigan também questionando os motivos que levaram os Estados Unidos a instaurar uma investigação comercial contra o Brasil, conhecida como Seção 301. Ele acredita que essa investigação tem um caráter político mais do que técnico, afirmando:
“A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes.”
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