Auditoria interna expõe rombo milionário na estatal carioca após aplicações no Banco Master. O governo do RJ havia destinado quase R$ 4 bilhões à instituição, que descumpria regras da própria companhia.
Uma auditoria interna da Cedae trouxe à luz um rombo financeiro que ultrapassa R$ 220 milhões, decorrente de aplicações feitas no Banco Master. O governo do Estado do Rio de Janeiro havia destinado quase R$ 4 bilhões a essa instituição, dos quais R$ 3,7 bilhões eram provenientes do Rioprevidência e R$ 237 milhões investidos diretamente pela Cedae. Ambas as fontes de investimento estão sob análise de órgãos de controle.
O relatório da auditoria, divulgado por um canal de televisão, destacou que o Banco Master não atendia aos critérios estabelecidos pela política de investimentos da Cedae no momento em que as negociações para um aporte de R$ 200 milhões foram iniciadas. As normas internas foram alteradas posteriormente, permitindo que o investimento fosse realizado, mesmo sem que o banco atingisse a classificação de risco exigida.
A investigação detalha que as mudanças nas regras seguiram um padrão semelhante ao que foi adotado pelo Rioprevidência, favorecendo a situação do Banco Master, que é controlado por Daniel Vorcaro. Em julho de 2023, a documentação recebida pela Cedae indicava que o banco possuía uma nota abaixo da mínima exigida e contava apenas com a avaliação de uma única agência de rating.
Os auditores ressaltaram que, diante desse cenário, a política de investimentos foi ajustada para acomodar o perfil do Banco Master, o que permitiu a continuidade da operação. O presidente da Cedae, Rafael Rolim, encaminhou o relatório à diretoria, recomendando o envio ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público do Rio de Janeiro para apuração.
Os documentos revelaram que alertas internos sobre os riscos do Banco Master foram ignorados pela diretoria financeira, resultando em um prejuízo significativo para a estatal. A investigação também analisou o processo de alteração das normas e a origem das decisões que levaram ao investimento.
“O relatório menciona suspeitas de negligência, dolo, fraude e ameaça ao patrimônio da empresa”, afirmou um dos auditores.
Além disso, a auditoria indicou que a segunda versão da Política de Aplicações Financeiras da Cedae, em março de 2023, exigia uma nota mínima de “A-” e avaliações de duas agências. No entanto, em julho de 2023, o Banco Master apresentou uma nota “BBB-” de uma única agência, o que o tornava inelegível segundo as normas vigentes. Apesar disso, a diretoria financeira optou por flexibilizar as exigências, permitindo que o Banco Master recebesse aportes.
As negociações, que ocorreram em um ambiente de sigilo, foram conduzidas por um grupo restrito na Diretoria Financeira. O relatório destaca que a situação financeira do Banco Master agravou-se em 2025, levando a Cedae a emitir alertas sobre a necessidade de reduzir a exposição ao banco. Porém, a resposta da diretoria foi tardia, resultando em dificuldades na recuperação dos recursos investidos.
Por fim, a companhia anunciou que irá instaurar procedimentos para apurar responsabilidades, mensurar o prejuízo e buscar ressarcimento ao Erário, enquanto o governador afirmou que não interfere nas decisões de investimento da Cedae.
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