A Copa do Mundo, um evento que mobiliza paixões e emoções, pode se tornar um terreno fértil para a manipulação através da publicidade de apostas online, conhecidas como bets. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) fez um alerta importante a respeito dessa situação.
De acordo com o Idec, “Eventos esportivos de grande mobilização emocional tendem a ampliar significativamente a exposição da população à publicidade de bets, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.” Este aviso surge após a divulgação de uma pesquisa realizada pela Softswiss, que revela que a Copa deste ano pode aumentar em pelo menos 50% o volume global de apostas esportivas em comparação com a edição de 2022.
O impacto financeiro é significativo, pois estima-se que as apostas esportivas, que quatro anos atrás movimentaram cerca de US$ 35 bilhões, podem alcançar a marca de US$ 52 bilhões nesta edição. Alexander Kamenetsky, diretor de Operações da Softswiss, pontua que “os principais motores desse crescimento são o formato ampliado do torneio, o avanço contínuo dos mercados regulamentados de apostas e as melhorias na experiência de apostas móveis.”
A edição de 2026 da Copa do Mundo traz um novo formato, com 48 equipes e 104 partidas, ampliando as oportunidades de apostas. Estima-se que os apostadores brasileiros representem aproximadamente 10% do volume global de apostas, e essa participação pode aumentar, especialmente se a seleção avançar nas fases decisivas.
Os dados do Placar das Bets, uma plataforma que monitora o mercado de apostas, indicam que, desde o dia 9 de junho, os brasileiros já gastaram cerca de R$ 530,21 milhões em casas de apostas. O valor médio gasto por apostador aumentou de R$ 188 para R$ 242 em apenas alguns dias.
Preços vistos na Amazon em 11/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Entretanto, o Idec expressa preocupação com os impactos negativos da expansão das apostas esportivas no Brasil, que foram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023. O instituto defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria declarar inconstitucionais as leis que permitiram os jogos e apostas online, considerando que “essa prática é altamente nociva às pessoas consumidoras e causa impactos sociais e de saúde pública.”
Para o Idec, as regras atuais de publicidade são insuficientes para proteger a população. O instituto observa uma naturalização crescente das apostas, impulsionada por campanhas massivas e pela promoção de influenciadores, atletas e clubes, que apresentam o jogo como algo divertido e lucrativo. Essa banalização dos riscos econômicos e psicológicos da prática é alarmante.
“O discurso publicitário frequentemente minimiza efeitos concretos já identificados no Brasil, como superendividamento, perda de renda e impactos relevantes à saúde mental.”
Ahmed El Khatib, professor da Universidade Federal de São Paulo, reforça que a ligação emocional com o futebol está sendo utilizada para incentivar as apostas. Ele destaca que “cada partida gera centenas de combinações distintas”, o que aumenta o volume de dinheiro movimentado. Em eventos de grande projeção, as emoções despertadas contribuem para que pessoas que normalmente não apostam se sintam motivadas a fazê-lo.
El Khatib também menciona a ilusão de controle que muitos apostadores sentem, acreditando que conhecem suficientemente bem os jogadores e equipes para prever resultados. Contudo, ele ressalta que “trata-se de um jogo de azar, e não de sorte”, alertando para os riscos de endividamento e transferência de recursos que poderiam ser destinados a outras áreas da economia.
Conforme dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a inadimplência dos consumidores relacionada a gastos com jogos e apostas resultou em uma retirada de R$ 143 bilhões da economia entre janeiro e março de 2023. A situação exige atenção e reflexão sobre o impacto das apostas no cotidiano da população.
Siga nossas redes e entre no nosso canal exclusivo de notícias.






