O número de mortos subiu para seis após o desabamento de um prédio de 11 andares na Penha, zona leste de São Paulo. Bombeiros encontraram a última vítima — uma menina — e resgataram duas pessoas com vida.
Subiu para seis o número de mortos no desabamento de um prédio na Penha, bairro da zona leste de São Paulo. O Corpo de Bombeiros localizou, na tarde de domingo, 13, o corpo da menina que ainda estava desaparecida e encerrou as buscas no local. Outras duas pessoas foram resgatadas com vida.
O acidente ocorreu por volta das 2h de sábado, 12, quando a construção de 11 andares desabou e atingiu um imóvel vizinho. Segundo os bombeiros, oito pessoas estavam na casa atingida no momento do acidente. Entre os seis mortos está uma mulher grávida.
Uma criança e um homem foram resgatados com vida e encaminhados ao Hospital Municipal do Tatuapé – Dr. Cármino Caricchio. Com a localização da última vítima desaparecida, os bombeiros encerraram a operação e deixaram o local sob responsabilidade das demais autoridades para os trabalhos periciais e outras medidas cabíveis.
O desabamento atingiu o imóvel ao lado, onde moravam nove pessoas, segundo os bombeiros. No imóvel vivia, entre outros moradores, uma família boliviana que também mantinha uma oficina de costura no local. A cena mobilizou equipes de salvamento e colocou à prova os protocolos de resposta a desastres urbanos.
Os trabalhos de buscas duraram mais de 24 horas e mobilizaram dezenas de bombeiros, além de equipes da Defesa Civil e da Prefeitura. Cães farejadores também foram utilizados na operação, que buscou combinar técnica, celeridade e cuidado com as vítimas e familiares.
A Defesa Civil interditou três residências que ficam no mesmo terreno da casa atingida e mantém equipes na região. As causas do desabamento ainda não foram determinadas. Segundo a corporação, não é possível atribuir o acidente apenas às fortes chuvas que atingiram a cidade durante a madrugada.
A Prefeitura de São Paulo abriu uma apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) para investigar os procedimentos de fiscalização relacionados à obra.
Segundo a Prefeitura, a construção começou em 2019 sem alvará e foi alvo de sucessivas fiscalizações da Subprefeitura Penha. O município aplicou multas, uma delas de R$ 119 mil, e determinou a interdição da obra. Um pedido de alvará apresentado pelo responsável pela construção naquele ano havia sido negado. Diante do descumprimento das determinações, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça em 2021 e obteve uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos.
Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à Prefeitura. Um novo alvará foi concedido em agosto de 2023, mas condicionado à demolição da estrutura anterior. Em fevereiro de 2024, uma vistoria resultou em laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura Penha que atestava o cumprimento da demolição.
Em nota, a New Home Construtora, responsável pela obra, informou ter aberto uma investigação interna para apurar o desabamento. A empresa afirmou que, neste momento, não há elementos que permitam atribuir o acidente exclusivamente a uma conduta da companhia e que a movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada como possível fator relacionado ao desabamento. A construtora declarou ainda que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser apontada pelas investigações e que presta apoio às famílias atingidas.
O caso segue sob apuração técnica e judicial, com perícias e inspeções previstas para esclarecer as causas e responsabilidades. Enquanto isso, a prioridade seguirá sendo o apoio às famílias, o fechamento do quadro de vítimas e a adoção de medidas que evitem novos episódios semelhantes.
Fonte: InfoMoney – Mercado
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