No dia 4 de julho de 2026, o Egito revelou uma descoberta arqueológica significativa: uma cidade residencial da era bizantina, bem preservada no deserto ocidental. Essa descoberta faz parte de um esforço contínuo do governo egípcio para revitalizar o setor turístico, que é vital para a economia do país, especialmente no contexto das antiguidades.
Localizada no Oásis de Dakhla e em Marina el-Alamein, perto de Alexandria, essas novas descobertas são um reflexo do potencial turístico do Egito e da riqueza histórica que o país abriga. O turismo, juntamente ao estratégico Canal de Suez, representa uma importante fonte de divisas estrangeiras, especialmente em tempos de dificuldades financeiras.
O Ministério do Turismo e Antiguidades destacou que a primeira descoberta fornece um vislumbre da vida cotidiana, do desenvolvimento urbano e das atividades econômicas do Oásis de Dakhla no século IV, quando o Egito era parte do Império Bizantino. Os vestígios encontrados incluem um urbanismo complexo, com ruas principais cortando-se em praças abertas e áreas públicas.
“Uma basílica do século IV se ergue na cabeceira do assentamento, acompanhada por restos de torres de vigia que protegiam o local,” declarou Hisham el-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.
Além disso, a descoberta revelou uma estrutura fortificada com muralhas grossas e uma variedade de casas com telhados abobadados. Entre as estruturas notáveis, a casa de Tisous foi identificada como a residência de um diácono da igreja, datada da segunda metade do século IV e que possivelmente funcionou como uma igreja doméstica antes da construção da basílica.
Arqueólogos também descobriram fornos de pão, cozinhas e ferramentas de moagem de pedra, que eram utilizadas para a produção alimentar. Moedas de bronze bem preservadas, retratos de imperadores bizantinos e uma coleção de moedas de ouro do reinado do imperador romano Constâncio II foram encontrados, o que aponta para a riqueza da época.
Além da cidade residencial, outra descoberta significativa ocorreu em Marina el-Alamein, onde foram encontradas 18 tumbas antigas. Esse local, que já havia sido objeto de escavações anteriores, agora soma um total de 48 túmulos. Os arqueólogos encontraram uma variedade de artefatos, incluindo vasos de cerâmica, lâmpadas e um sarcófago de granito contendo restos mortais que estão sendo analisados.
“A prática de colocar moedas de ouro na boca dos falecidos, conhecida como ‘língua de ouro’, foi também identificada, refletindo as crenças funerárias da época,” comentou Eman Abdel-Khaliq, chefe da missão.
O turismo no Egito tem mostrado sinais de recuperação após anos de instabilidade política e os desafios impostos pela pandemia de coronavírus. No último ano, um recorde de 19 milhões de turistas visitou o país, com um aumento significativo em relação ao ano anterior, e os primeiros meses de 2026 já mostram um crescimento no número de visitantes.

