Uma pesquisa conduzida por especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trouxe à tona informações alarmantes sobre canetas emagrecedoras produzidas no Paraguai e vendidas ilegalmente no Brasil. O estudo identificou que esses produtos contêm tirzepatida, o mesmo princípio ativo presente no medicamento Mounjaro. Encomendado por um veículo de comunicação, o estudo avaliou cinco medicamentos disponíveis nas redes sociais.
Os pesquisadores confirmaram a presença da substância, mas descartaram a possibilidade de mistura com semaglutida, que é o princípio ativo do Ozempic. É importante ressaltar que a análise não abordou questões cruciais como esterilidade, impurezas, eficácia clínica ou segurança dos produtos, que permanecem sem o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, portanto, não podem ser comercializados legalmente no país.
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Em uma declaração, a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, destacou que a identificação do princípio ativo não implica que os medicamentos sejam equivalentes ao produto original. A empresa enfatizou que a mera identificação de um componente não fornece informações sobre o processo de fabricação, pureza ou a resposta do organismo ao produto. “Sem essas informações, não é possível descartar os riscos reais associados a esses produtos”, afirmou a empresa.
Além disso, o estudo revelou que uma das marcas analisadas, Gluconex, apresentou uma concentração de tirzepatida aproximadamente 60% superior àquela indicada pelo fabricante. José Luiz da Costa, coordenador do CIATox da Unicamp, alertou que isso pode aumentar o risco de efeitos adversos. “Mesmo que o paciente aplique a dose de Gluconex prescrita pelo médico, ele pode receber uma quantidade muito superior à esperada, o que aumenta o risco de eventos adversos, inclusive de hipoglicemia”, afirmou o especialista.
A pesquisa também indicou que as canetas estão sendo promovidas em plataformas como TikTok, Instagram e WhatsApp. Quando questionadas, as redes sociais afirmaram que esse tipo de comércio infringe suas políticas e que removem conteúdos irregulares assim que os identificam.
Embora a pesquisa tenha confirmado a presença de tirzepatida nas amostras analisadas, ela não avaliou aspectos fundamentais para a aprovação de um medicamento. Por esse motivo, os produtos continuam proibidos para a comercialização no Brasil, por não possuírem registro na Anvisa. A Anvisa ressaltou que análises laboratoriais isoladas não substituem o rigoroso processo regulatório exigido para medicamentos disponíveis no país, que envolve critérios de fabricação, armazenamento, transporte e controle de contaminantes.

