O ex-chefe da divisão PlayStation, Shawn Layden, declarou que títulos de modelo live-service não se enquadram na definição tradicional de videogame. Em entrevista ao podcast The Ringer, o executivo disse que esses produtos funcionam apenas como “dispositivos de repetição de ações” voltados ao engajamento contínuo.
“Para mim, um jogo precisa de três elementos: história, personagem e mundo”, afirmou Layden, citando franquias como Horizon, God of War e Uncharted como exemplos desse tripé narrativo. “Se você está fazendo um jogo como serviço, basta ter uma ação repetitiva que a maioria das pessoas entenda, um meio de comunicação dentro desse universo e o desejo do jogador de repetir a experiência infinitamente”, completou.
Contexto da estratégia da Sony
Durante a gestão de Jim Ryan, a Sony anunciou o objetivo de lançar 12 projetos live-service na geração atual, numa guinada em relação às campanhas single-player que consolidaram a reputação do PlayStation. Até o momento, apenas Helldivers 2 – aprovado ainda na época de Layden – alcançou sucesso. Já Concord estreou com menos de 700 usuários simultâneos e foi retirado das lojas semanas depois. Outros projetos, como um MMO de Horizon, versões como serviço de God of War e o modo independente Factions de The Last of Us, foram cancelados.
O próximo grande teste será Marathon, da Bungie. O título, agora adiado por tempo indeterminado, já enfrentou acusações de uso indevido de ativos gráficos, aumentando a incerteza sobre o futuro do projeto.
Mercado saturado
Layden argumenta que competir com sucessos estabelecidos, como Fortnite, Rainbow Six Siege, League of Legends, Counter-Strike e Overwatch 2, é “uma estrada abarrotada de gente querendo fazer outro Fortnite ou um Overwatch com skins diferentes”. O designer Justin Richmond, que trabalhou no modo multijogador de Uncharted 2: Among Thieves, reforçou que a lista de vencedores “é muito curta e foi definida há cinco ou seis anos”.
Imagem: Internet
Ainda assim, a Sony mantém investimentos no segmento. A empresa aplicou mais de US$ 1 bilhão na Epic Games e chegou a reduzir a publicidade de Call of Duty para destacar Battlefield 6. Para Layden, porém, a expectativa de “sacos de dinheiro diários” não se concretiza para a maioria dos estúdios.
Desde que deixou o cargo em 2019, o ex-presidente defende que o PlayStation deve continuar a liderar em experiências single-player, mesmo que a companhia não abra mão de buscar espaço no modelo live-service.
Com informações de TheGamer
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