A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) está apostando em mudanças significativas no cenário eleitoral e acredita que as próximas semanas poderão favorecer o crescimento do pré-candidato na disputa pela Presidência da República. A expectativa é de um aumento de dois pontos nas pesquisas.
Interlocutores próximos à campanha relatam que trackings internos registraram esse aumento de dois pontos percentuais nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro. A avaliação dos integrantes da campanha é que essa mudança é resultado de dois fatores principais: a crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o envolvimento do ex-líder do PT no Senado, Jaques Wagner, no caso Master.
A leitura interna sugere que o desgaste provocado pela divergência com Michelle acabou por concentrar-se na ex-primeira-dama. Aliados de Flávio acreditam que ela passou a ser vista como uma figura mais ambiciosa, e a exposição pública da disputa desagradou boa parte da base bolsonarista, que esperava uma maior unidade em um momento considerado crucial para a campanha.
Recentemente, Flávio se viu envolvido em diversas crises, incluindo a divulgação de áudios com Daniel Vorcaro e a possibilidade de novas tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump, após sua viagem aos Estados Unidos.
Apesar dos sinais de melhora apontados pelos levantamentos internos, a expectativa da equipe de Flávio está voltada para o calendário eleitoral. Nos bastidores, a pré-campanha espera por mudanças no cenário após o dia 4 de julho, quando entrarão em vigor restrições impostas pela legislação eleitoral.
A avaliação é de que, a partir dessa data, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá diminuir o ritmo de suas agendas públicas e propagandas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe candidatos que ocupam cargos públicos de participarem de inaugurações de obras e serviços, além de restringir a publicidade institucional e conteúdos oficiais que possam ser vistos como promoção pessoal.
Outro fator que a equipe de Flávio está acompanhando de perto é o cenário nos maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, aliados comemoraram a desistência de outros candidatos ao governo estadual. A avaliação é de que, com a tendência de uma disputa concentrada entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), aumentam as chances de definição da eleição em primeiro turno, o que poderia beneficiar Flávio Bolsonaro.
A leitura é de que, sem um segundo turno em São Paulo, Tarcísio terá maior disponibilidade para participar da campanha presidencial, enquanto o PT ficaria sem espaço de palanque no maior colégio eleitoral do país. O mesmo acompanhamento está sendo realizado em Minas Gerais, onde integrantes da pré-campanha avaliam que o PL possui mais de uma alternativa para a disputa estadual, enquanto o PT ainda busca consolidar um nome para as eleições no estado.
Apesar do otimismo de pessoas próximas, a pré-campanha de Flávio ainda enfrenta resistências para fechar alianças.

