O senador Flávio Bolsonaro (PL) expressou sua indignação em relação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o ex-presidente Jair Bolsonaro de receber visitas com finalidade “político-eleitoral” durante sua prisão domiciliar, que se estenderá até o fim das eleições de outubro.
“Mais uma decisão ilegal, desproporcional, covarde e cruel”, afirmou o pré-candidato em um vídeo nas redes sociais.
Flávio comparou a situação de seu pai a alguém “enterrado vivo”, ressaltando que Jair Bolsonaro está sendo alvo de ações que o impedem de se comunicar livremente. “O medo de que Bolsonaro, ou um Bolsonaro, volte à Presidência do Brasil, tirou completamente a sua condição de ser juiz”, completou.
Na noite da sexta-feira, 17, Moraes tomou a decisão de manter a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, justificando a restrição com base na divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente e lida por Flávio durante uma transmissão ao vivo. Além disso, o ministro suspendeu as visitas ao ex-presidente por 30 dias, com exceção da equipe médica, fisioterapeutas e advogados, e manteve a proibição de visitas de Flávio ao pai por 90 dias.
Na decisão, Moraes argumentou que a “Carta aos brasileiros” possui caráter público e uma finalidade político-eleitoral. O ministro alegou que o documento utilizou Flávio como intermediário para alcançar os apoiadores de Jair Bolsonaro, que está proibido de usar redes sociais diretamente ou através de terceiros. Ademais, Moraes também proibiu a divulgação de manifestos político-eleitorais por parte de Bolsonaro, mesmo que por terceiros.
Flávio Bolsonaro também afirmou que Moraes está interferindo nas eleições presidenciais de 2026, usando a força do Estado “para satisfazer seus devaneios pessoais”. Ele declarou que “não é justiça, é vingança” e criticou a postura do ministro ao interferir nas eleições passadas e tentar fazer o mesmo agora.
“O Moraes desequilibrou as eleições de 2022 e tenta interferir de novo em 2026”, reiterou Flávio, questionando a estratégia de transferir casos para o STF que deveriam ser apreciados pela justiça especializada, como o TSE nas eleições. Ele ainda pediu providências ao presidente do STF, Edson Fachin, expressando preocupação com a situação atual.
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão de Flávio, também criticou a decisão de Moraes, lembrando que a Constituição proíbe manter um preso incomunicável, mesmo em estado de defesa. Ele ressaltou que uma das hipóteses para a aplicação do estado de defesa é justamente o risco às instituições democráticas.
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