O governo de Luiz Inácio Lula da Silva está sob pressão no Congresso para implementar um reajuste automático do limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI). Essa proposta, que visa facilitar a vida dos pequenos empreendedores, é apoiada pelo relator do tema na Câmara dos Deputados, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC).
A proposta atual do governo sugere um aumento do limite anual de faturamento do MEI, que passaria de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e, posteriormente, para R$ 140 mil em 2028. Contudo, Goetten defende que, além desse aumento, o valor seja atualizado automaticamente todos os anos de acordo com a inflação. Essa medida, segundo ele, seria essencial para garantir a valorização do trabalho dos microempreendedores.
“A correção automática é fundamental para que os microempreendedores não sejam prejudicados pela inflação e possam manter seus negócios sustentáveis”, afirmou Goetten.
No entanto, a equipe econômica do governo se opõe a essa medida. O entendimento é que a correção automática poderia gerar uma indexação excessiva na economia, aumentar os custos fiscais ao longo do tempo e ainda estimular a “pejotização”, fenômeno em que trabalhadores são contratados como pessoas jurídicas em vez de serem empregados com carteira assinada.
Um dos principais argumentos a favor da mudança é o impacto significativo na tributação que os empreendedores enfrentam ao deixar a categoria de MEI. Atualmente, um microempreendedor paga um valor fixo mensal de impostos. Ao migrar para uma microempresa enquadrada no Simples Nacional, a carga tributária aumenta consideravelmente. Por exemplo, um empreendedor que fatura R$ 10 mil por mês pode ver sua contribuição mensal subir de aproximadamente R$ 90 para valores que variam entre R$ 400 e R$ 600, dependendo da sua atividade.
O reajuste do teto do MEI é parte de um acordo firmado entre o governo e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Esse acordo tem como objetivo viabilizar a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e extingue a escala 6×1, o que mostra a complexidade e a interligação das questões em discussão no Congresso.
Enquanto isso, os parlamentares continuam debatendo o Projeto de Lei Complementar (PLP) n° 108/2021, que também propõe elevar os limites de faturamento das empresas que estão no Simples Nacional. Estimativas discutidas nas negociações indicam que os cenários mais amplos de reajuste podem gerar um impacto fiscal de cerca de R$ 50 bilhões, destacando a importância e as implicações de tais alterações na política econômica do país.



