O presidente Lula revelou surpresa com a possível imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros. A declaração veio dias após encontro com Trump em Washington, em maio.
No dia 3 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua surpresa em relação à decisão do governo dos Estados Unidos de considerar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula expressou que a medida tomou-o de surpresa, especialmente diante da percepção que tinha sobre o estado das relações bilaterais entre Brasil e EUA.
O presidente recordou seu encontro com o então presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington, realizado no dia 7 de maio. Lula afirmou que acreditava que os dois países estavam avançando em direção a uma nova fase de diálogo e cooperação. “Convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos”, declarou. “Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles.”
Essa declaração foi feita em meio ao desenvolvimento de uma investigação comercial pelos EUA, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O resultado dessa investigação resultou na recomendação de novas sobretaxas sobre produtos brasileiros, com percentuais que podem variar de 12,5% a 25%.
Além disso, na mesma reunião, Lula anunciou que participaria da próxima cúpula do G7, agendada para os dias 15 e 16 de junho em Evian, nos Alpes Franceses. Ele comentou: “Eu nem ia no G7, mas agora eu vou, porque é preciso alguém colocar ordem na casa”. Lula também enfatizou a importância de restaurar o multilateralismo, a democracia e o respeito às instituições.
O presidente francês, Emmanuel Macron, estendeu o convite para que Lula se juntasse ao grupo que inclui Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Essa participação se torna ainda mais significativa diante do contexto atual das relações comerciais entre Brasil e EUA.
É importante ressaltar que a declaração de Lula ocorreu poucos dias após o governo Trump ter anunciado uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em declarações anteriores, Lula já havia mencionado que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro poderiam ter influenciado na investigação norte-americana.
Na última semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu preliminarmente a investigação que resultou na proposta de tarifas adicionais sobre importações brasileiras, com a possibilidade de que essas medidas entrem em vigor a partir de 15 de julho. O governo brasileiro, por sua vez, classificou como “lastimável” que interesses eleitorais e familiares estivessem prejudicando o diálogo e a articulação entre os dois países. O Planalto também argumentou que não há justificativa para as medidas unilaterais contra o Brasil, especialmente considerando o superávit que os EUA têm nas relações comerciais com o país.

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