O Museu da Língua Portuguesa fechou a mostra 'Funk: um grito de ousadia e liberdade' antes do prazo. A decisão ocorre após denúncia ao MP sobre conteúdo considerado impróprio por parlamentares.
O Museu da Língua Portuguesa, localizado em São Paulo, anunciou o encerramento da exposição “Funk: um grito de ousadia e liberdade” antes da data programada. Esta decisão foi tomada em meio a uma investigação do Ministério Público estadual, que está analisando uma denúncia feita pelo vereador Lucas Pavanato e pelo pré-candidato a deputado estadual Felipe Sertanejo.
A denúncia levantou questões sobre o conteúdo da mostra, mencionando a presença de imagens de mulheres vestindo roupas curtas, referências à sexualidade, simbolismos ligados ao consumo de drogas e obras que, segundo os denunciantes, poderiam remeter à narcocultura. O documento que embasou a denúncia foi elaborado após um vídeo feito por Sertanejo e pelo influenciador Ben Pontes durante uma visita ao museu, onde foram observadas cenas de bailes funk com a presença de homens armados, além de outros conteúdos que foram considerados inadequados para o público jovem.
A representação questiona a exposição de menores a conteúdos que podem estar em desacordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especialmente no que diz respeito à classificação indicativa.
A Promotoria da Infância e Juventude da Capital já tomou providências preliminares para investigar as alegações, com um despacho assinado pelo promotor Guilherme Onofri Azevedo Figueiredo. O documento indica que existem elementos na denúncia que podem infringir normas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes, e enfatiza a urgência da investigação, especialmente diante da possibilidade de visitas escolares à exposição.
Além disso, o Ministério Público requisitou informações ao Museu da Língua Portuguesa e às secretarias municipal de Educação e estadual da Cultura. O órgão busca esclarecimentos sobre os critérios que foram utilizados para a classificação indicativa da exposição, como também detalhes sobre o controle de acesso de menores e a participação de alunos da rede pública na visitação ao local.
As autoridades estão particularmente interessadas em saber se há conteúdos com teor erótico ou que possam ser interpretados como apologia a práticas ilícitas, além de orientações disponíveis ao público e medidas que foram implementadas para restringir o acesso de crianças e adolescentes quando necessário. O Museu da Língua Portuguesa ainda não se manifestou sobre a situação e aguarda um retorno.

Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






