Fabrício Tota, VP do Mercado Bitcoin, afirmou que o invasor reteve menos de 3% dos ativos da plataforma. A exchange afirma ter bloqueado US$ 16 milhões e anuncia cronograma para ressarcir clientes e retomar serviços.
O valor que permanece nas mãos do hacker responsável pelo ataque à corretora Mercado Bitcoin (MB) na segunda-feira (2) representou menos de 3% do total de ativos sob custódia da plataforma, segundo declarações divulgadas ontem (5) por Fabrício Tota, VP de Novos Negócios do MB. A informação veio acompanhada de detalhes sobre o incidente, o plano de ressarcimento aos clientes e o cronograma de retomada dos serviços.
Até o momento, a exchange informou que conseguiu bloquear US$ 16 milhões dos ativos desviados com auxílio de emissores de criptomoedas e empresas parceiras, entre elas Tether, Circle, Paxos, Stellar e Chainalysis. Essa recuperação foi destacada como excepcional frente a padrões do setor.
“Ainda que sejam valores expressivos, é um valor relativamente pequeno quando comparamos com o total que custodiamos de valores de clientes aqui. […] Dos valores que ainda estão nas mãos do atacante, eu posso dizer que eles representam mais ou menos 3% da nossa custódia total”
“Conseguimos bloquear mais de 10 vezes a média do que se costuma bloquear nesse tipo de incidente”
O MB explicou que a limitação do impacto se deve à arquitetura de custódia: os fundos desviados estavam armazenados em hot wallets — carteiras conectadas à internet, usadas para operações diárias de saques e depósitos — enquanto a maior parte dos recursos permaneceu em cold wallets, desconectadas da rede. Segundo Tota, práticas do setor recomendam manter cerca de 5% dos ativos em carteiras quentes, e regulações em outros países já adotaram tetos diferentes; como exemplo, foi citado que, na Coreia do Sul, a regulação permitia até 20% em hot wallets e que o regulador local discutiu reduzir esse limite para algo próximo de 1%.
A corretora garantiu que todos os clientes terão seus saldos preservados e que o valor desviado será coberto com recursos próprios da empresa. A recomposição dos ativos já começou: a mesa de operações do MB está recomprando os ativos com parceiros no Brasil e no exterior. A empresa também mencionou sua estrutura patrimonial como suporte, citando captações ao longo de 13 anos de cerca de US$ 300 milhões com investidores como SoftBank, 10T Holdings, Tribe Capital, Parallax Ventures, GP Investimentos e Meli Fund, do Mercado Livre, além de um aporte de US$ 20 milhões da Tether em julho.
A corretora informou que ainda não detalhou como o ataque foi executado nem quem está por trás dele, e que informações seguem sob sigilo por conta da investigação oficial. Também confirmou que os produtos de Renda Fixa Digital não foram afetados pelo incidente.
Sobre a retomada, o MB anunciou que, a partir de segunda-feira (9), os clientes poderão acessar o site para consultar saldos, extratos e investimentos com base na posição registrada antes do incidente. Negociações, saques e depósitos, em cripto e em reais, serão liberados nos dias seguintes de forma escalonada, por grupos de ativos e redes. Um cronograma detalhado será divulgado em breve.
“Algumas empresas demoraram 10 dias, algumas 30 dias, algumas infelizmente nunca voltaram à normalidade”
O MB reforçou que, com a retomada do acesso, não entrará em contato com clientes por WhatsApp, ligações ou links oferecendo reembolsos, nem solicitará senhas, códigos ou frases de recuperação. As comunicações oficiais serão divulgadas apenas no aplicativo, no site e nos perfis da empresa no Instagram e no X. Para clientes e interessados, a recomendação prática é acompanhar esses canais oficiais e aguardar o cronograma escalonado para movimentações.
Fonte: Portal do Bitcoin
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