Empresa detectou alteração no LED que permitia gravação sem aviso visual e desativou as câmeras remotamente. Cerca de 0,1% dos aparelhos — ~7 mil dos 7 milhões vendidos pela EssilorLuxottica até 2025 — foram afetados.
A Meta desativou remotamente as câmeras de uma pequena parcela dos óculos inteligentes vendidos após identificar tentativas de adulteração no indicador luminoso que sinaliza gravação. A medida afetou cerca de 0,1% das unidades comercializadas, o que corresponde a aproximadamente 7 mil aparelhos com base nas cerca de 7 milhões de unidades vendidas pela EssilorLuxottica até o fim de 2025.
Segundo a empresa, os dispositivos tiveram o LED alterado para permitir gravações sem o indicador visual de atividade da câmera, o que motivou a ação remota de desativação. A companhia informou que implementou, na semana anterior, um recurso nativo que desliga a câmera caso o LED seja coberto.
“Estimamos que menos de 0,1% das unidades vendidas tiveram a câmera adulterada para tentar desativar a luz de LED, e desligamos essas câmeras”, afirmou a Meta.
O LED é um dos mecanismos projetados para avisar pessoas próximas de que uma câmera está filmando ou fotografando. Ainda assim, nas redes sociais multiplicaram-se vídeos gravados em primeira pessoa com óculos inteligentes, muitos deles mostrando abordagens a desconhecidos, pegadinhas ou situações constrangedoras registradas sem consentimento.
No Brasil, a Meta comercializou os óculos das linhas Ray-Ban Meta e Oakley Meta, que combinam câmera de 12 MP, alto-falantes, microfones e recursos de inteligência artificial. Os modelos foram vendidos com preços a partir de R$ 3.299; o Oakley Meta HSTN chegou ao mercado brasileiro com preço sugerido de R$ 3.459. A terceira geração dos Meta Glasses também foi homologada para venda no país, mas ainda não teve data de lançamento confirmada.
Autoridades e órgãos reguladores em vários países reagiram às preocupações sobre privacidade e segurança. No Brasil, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) acionou o Ministério Público Federal para solicitar investigação dos riscos desses dispositivos. Na Noruega, houve avaliação sobre restrições ou até proibição de óculos inteligentes com câmera.
“Precisamos impedir que esse equipamento seja usado para monitorar outras pessoas em locais públicos”, afirmou a ministra da digitalização Karianne Tung.
Para usuários e interessados em tecnologia, a situação serve de alerta prático: verificar se o dispositivo mantém sinais visíveis de gravação, preferir opções com recursos nativos de desligamento quando o LED for coberto, e respeitar regras e consentimento em gravações de terceiros. Consumidores preocupados com integridade do produto ou uso indevido podem buscar canais oficiais de suporte e, quando necessário, orientação de órgãos de defesa do consumidor.
A história combinou ações técnicas da fabricante com debates regulatórios, reafirmando que inovação exige também medidas concretas de proteção à privacidade e transparência sobre alterações em dispositivos vendidos ao público.


Fonte: Tecnoblog
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