A Microsoft juntou seus assistentes Copilot, o voltado para consumidores e o de uso no trabalho, em um único aplicativo focado em empresas. Segundo a agência Bloomberg, a mudança representa uma retirada estratégica do mercado de chatbots pessoais, hoje dominado pelo ChatGPT, da OpenAI, pelo Gemini, do Google, e pelo Muse, da Meta.
Com isso, chega ao fim o esforço de dois anos da empresa para construir um “companheiro pessoal de IA”. A estratégia de inteligência artificial da Microsoft passa a ser totalmente direcionada à produtividade corporativa.
“Não vamos criar um Copilot que seja como um companheiro pessoal. Simplesmente não é isso que as pessoas esperam da Microsoft. Nós ajudamos você a fazer as coisas acontecerem,” disse Charles Lamanna, executivo da Microsoft, a clientes em um evento privado de pré-visualização.
As três frentes do novo Copilot
O aplicativo reformulado herda a interface mais limpa da versão para consumidores, que foi descontinuada, e se organiza em torno de três recursos principais:
- Home: central que reúne o chat e a delegação de tarefas (Cowork). Com o recurso “Office in Copilot”, dá para editar documentos do Word, Excel e PowerPoint em conjunto, direto no aplicativo.
- Code: baseado no GitHub Copilot, permite que funcionários sem conhecimento técnico criem aplicativos, painéis e fluxos de trabalho automatizados usando linguagem natural, em um ambiente seguro e gerenciado pela equipe de TI.
- Autopilot: antes chamado internamente de Scout, é um agente digital que fica na nuvem da empresa e executa sozinho tarefas complexas de várias etapas em segundo plano, como revisões de fornecedores, sem precisar de comandos constantes.
Como vai ser a cobrança
Para esses recursos autônomos, a Microsoft anunciou um modelo de preços dividido. As funções do dia a dia, como o chat, entram em uma assinatura de valor fixo. Já as tarefas mais longas no Code e no Autopilot serão cobradas por uso. Para controlar esses custos variáveis, os administradores vão contar com novas ferramentas de governança de IA, chamadas FinOps for AI.
Adesão em alta
A virada acontece em um momento de forte adesão das empresas. De acordo com a Microsoft, até junho eram mais de 30 milhões de assinaturas empresariais pagas do Copilot, o que representa cerca de um terço da base de usuários comerciais do Microsoft 365.
A mensagem da Microsoft é clara: em vez de disputar quem conversa melhor com o usuário, a empresa quer ser a ferramenta que resolve o trabalho. Resta ver se a aposta vai render mais que a briga pelos chatbots pessoais.
Com informações do Investing.com
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