A sonda MAVEN, que estudou a atmosfera marciana por mais de uma década, foi declarada irrecuperável. O último sinal foi recebido em dezembro, quando a nave desapareceu atrás do Planeta Vermelho.
A NASA anunciou o encerramento da missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) no dia 3 de junho de 2026. Esta missão, a primeira dedicada exclusivamente a estudar a atmosfera de Marte e sua evolução, cumpriu um papel crucial ao longo de mais de 11 anos em órbita, superando em uma década o tempo previsto para sua missão inicial.
A sonda MAVEN foi declarada irrecuperável após um problema em seus sistemas de comunicação. O último contato com a espaçonave ocorreu em 6 de dezembro do ano anterior, quando um sinal foi perdido enquanto a sonda passava por trás do Planeta Vermelho.
Um conselho de revisão da NASA, convocado em fevereiro, revelou que a sonda entrou em modo de segurança e começou a girar a uma velocidade muito alta ao reaparecer. Essa rotação extrema levou ao esgotamento das baterias, resultando na falta de energia para os sistemas de comunicação e, consequentemente, deixando a sonda em um estado irrecuperável. Embora a causa exata do problema ainda esteja sob investigação, o processo oficial de desativação já foi iniciado.
Lançada em novembro de 2013, a MAVEN desempenhou um papel fundamental na descoberta de como Marte transformou-se de um mundo com água líquida — potencialmente habitável — para o planeta árido e gelado que conhecemos hoje. Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA, destacou a importância dos dados coletados pela MAVEN, que são essenciais para determinar as medidas de proteção e segurança necessárias antes de enviar humanos a Marte.
Durante sua trajetória, a equipe científica da missão produziu mais de 800 publicações, revelando informações valiosas sobre o planeta vermelho. A sonda demonstrou que ventos e tempestades solares foram os principais responsáveis pela perda da atmosfera marciana ao longo do tempo, alterando drasticamente o clima do planeta.
Entre as descobertas notáveis, a MAVEN identificou novos tipos de auroras em Marte, que, ao contrário da Terra, podem iluminar todo o planeta. Além disso, a sonda mediu a perda de atmosfera por pulverização, mostrando como íons de alta velocidade colidem e dispersam moléculas de gás, como o argônio, para o espaço.
Em 2018, a MAVEN confirmou que o aquecimento gerado durante uma tempestade de poeira global impulsionou moléculas de água para altitudes extremas, acelerando a perda de água em Marte. A sonda também capturou observações inéditas do cometa 3I/ATLAS e foi vital para a Rede de Retransmissão de Marte da NASA, estabelecendo um recorde de dados retransmitidos de rovers para a Terra em um único dia.
Shannon Curry, investigadora principal da missão, expressou o sentimento da equipe: “A missão MAVEN realmente avançou nossa compreensão sobre a atmosfera e a evolução de Marte. Nossa equipe científica está excepcionalmente orgulhosa de todas essas descobertas incríveis.”
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