A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deram início, na última quarta-feira, 27 de maio, a uma nova fase da Operação Sem Desconto. Esta operação visa investigar um esquema nacional de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras ações constritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As operações estão sendo realizadas em estados como Pernambuco, São Paulo e Paraíba, além do Distrito Federal.
Os órgãos envolvidos na investigação afirmam que o objetivo desta nova etapa é aprofundar as apurações sobre possíveis crimes contra a administração pública. Entre os delitos que estão sendo investigados estão a organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de bens e dilapidação patrimonial. A operação busca desvendar a realização de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, feitos sem a devida autorização dos beneficiários.
“Esse esquema prejudica diretamente os aposentados e pensionistas, que confiam em um sistema justo e transparente”, afirmou um representante da PF.
Dentre os alvos da operação, encontramos a Associação Amar Brasil Clube de Benefícios e seu ex-presidente, Felipe Macedo Gomes. Outro alvo é Igor Dias Delecrode, ex-presidente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista, além de outras associações. Até o momento, as defesas dos envolvidos ainda não se manifestaram.
A PF também investiga Everaldo Felício de Macedo, um técnico do INSS, que é suspeito de ter recebido pagamentos de Antônio Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, que é apontado como líder do esquema. A defesa de Macedo ainda não se manifestou sobre as acusações. Além deles, outros ex-servidores do INSS também estão sendo investigados nesta fase da operação.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF, André Mendonça. Embora a PF tenha solicitado prisões dos alvos, o ministro não autorizou essa medida, o que levanta questões sobre o andamento do caso.
Esta nova fase da Operação Sem Desconto ocorre após uma mudança na coordenação do caso, onde a PF transferiu a investigação da divisão de repressão a crimes previdenciários para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ/CGRC/DICOR/PF). Essa mudança foi necessária após um delegado ter solicitado quebras de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente, embora ele não seja alvo desta fase.
A Operação Sem Desconto foi iniciada em abril de 2025. As investigações anteriores revelaram indícios de irregularidades envolvendo descontos de mensalidades associativas feitos diretamente em benefícios previdenciários, que somam cerca de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024. Na ocasião, pelo menos seis servidores públicos foram afastados de seus cargos. A operação levou à mobilização de aproximadamente 700 policiais federais e 80 servidores da CGU, com o cumprimento de mais de 200 mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de bens superiores a R$ 1 bilhão.
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