Prepare-se para noites de observação: escolha um local escuro, leve paciência e afaste-se das luzes da cidade. As chuvas têm radiantes em Draco e Touro — siga os horários de pico para aumentar suas chances.
Prepare-se para olhar para o céu: os próximos dias trazem duas chuvas de meteoros que podem ser observadas com calma e boas condições de visualização. A experiência pede paciência, um local escuro e atenção aos horários certos — pequenas escolhas que aumentam muito suas chances de ver um “rastro” no firmamento.
As duas chuvas são distintas em origem e comportamento. As Dracônidas derivam do cometa 21P/Giacobini-Zinner e têm o radiante na constelação de Draco, perto da cabeça do dragão. As Táuridas do Sul vêm de fragmentos do cometa 2P/Encke e têm o radiante na constelação de Touro, em torno da estrela Aldebaran.
Cometas periódicos, como esses, deixam trilhas de detritos que a Terra cruza em pontos específicos da órbita. Como os fragmentos destes cometas tendem a ser maiores do que a média, há potencial para produzir bolas de fogo coloridas ao entrar na atmosfera — mesmo quando a chuva não é numerosa.
Sobre a Dracônidas
A chuva de meteoros Dracônidas é curta e se mantém ativa entre 6 e 10 de outubro. A melhor oportunidade de visualização será na sexta-feira (9), quando ocorre o pico de atividade. A constelação de Draco é do hemisfério norte, por isso a visualização é muito discreta no Hemisfério Sul.
“Ela praticamente não pode ser vista no Brasil. E, mesmo que fosse, é uma chuva muito fraca”
afirma Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon). Em paralelo, a astronomia classifica a Dracônidas como uma chuva de meteoros “menor”, com uma taxa de ocorrência reduzida — na casa de cerca de 10 meteoros por hora em sua referência histórica; segundo Zurita, mesmo no Hemisfério Norte costumam aparecer apenas um ou dois meteoros por hora em muitas ocasiões.
Sobre as Táuridas do Sul
As Táuridas do Sul têm alcance temporal mais longo, ficando ativas entre 10 de setembro e 20 de novembro. O pico principal ocorre em 5 de novembro, mas há uma máxima inicial prevista para sábado (10). Em condições ideais, esse pico antecipado costuma produzir cerca de cinco meteoros por hora. Na data da máxima inicial, a Lua estará no primeiro dia da fase nova, favorecendo céus escuros para observação.
O Calendário de Chuvas de Meteoros da IMO indica que, em 2026, a atividade das Táuridas pode ficar um pouco acima da média, o que eleva a possibilidade de ver bolas de fogo — meteoros extremamente brilhantes que podem superar o brilho de Vênus.
Dicas práticas para observar
Escolha um local longe da poluição luminosa, deite-se ou use uma cadeira reclinada e aguarde com os olhos adaptando-se ao escuro. Para as Dracônidas, a melhor janela será logo após o pôr do Sol, até por volta das 20h (horário de Brasília), pois o radiante ainda estará alto o suficiente. Para as Táuridas do Sul, as melhores exibições provavelmente ocorrerão entre 1h e 3h da manhã, quando o ponto radiante estará mais elevado.
Aplicativos de observação como Stellarium, Star Walk ou Sky Safari ajudam a localizar Draco, Touro e Cetus e a planejar sua sessão de observação. Mesmo que as chuvas sejam discretas, a combinação de céu escuro, paciência e timing certo pode transformar uma noite comum em um momento memorável. Boa sorte e bons céus!




Fonte: Olhar Digital
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