Parlamentares da oposição estão articulando audiências com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, antes do recesso legislativo marcado para o dia 18 de julho. O objetivo principal é ouvir o ministro nas comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado. No entanto, as datas ainda não foram definidas pelos colegiados.
A comissão do Senado já aprovou, na terça-feira, dia 8, um convite para que o ministro esclareça um documento enviado à Câmara. Neste ofício, Vieira menciona a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos contra o Brasil, após o governo de Donald Trump classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. Importante destacar que o convite não obriga o comparecimento do ministro.
Na quarta-feira, dia 9, a comissão da Câmara também aprovou a convocação do ministro, mas neste caso, a presença de Mauro Vieira se torna obrigatória. A oposição está tentando agendar a presença do chanceler para a próxima semana, embora alguns integrantes do grupo admitam que a audiência pode ser adiada para agosto devido a conflitos de agenda. A definição final depende dos presidentes dos colegiados, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
Os pedidos do Congresso surgiram após Vieira enviar um ofício ao deputado Evair de Melo (PP-ES) alertando sobre os riscos militares. No documento, o Itamaraty expressa que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”, já que o enquadramento atual das facções como “organizações criminosas transnacionais” já permite a troca de informações.
O Departamento de Estado dos EUA, por sua vez, classificou a hipótese de ação militar como “absurda”, ressaltando que as facções atuam em território norte-americano e que os EUA devem proteger sua população. O órgão também afirmou que “alegações vagas de intervenção servem, muitas vezes, de pretexto para auxiliar e acobertar alguns dos grupos mais violentos do mundo”.
A oposição deseja questionar a posição do governo brasileiro em relação à decisão dos EUA, considerando que a possibilidade de invasão norte-americana carece de justificativas e pode prejudicar as relações com a Casa Branca.
A classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) está em vigor desde o dia 5 de junho. Este processo teve início em 28 de maio, quando o Departamento de Estado norte-americano designou as facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT).
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