Oracle notificou uma unidade da Blue Owl, desenvolvedora de data center no Novo México, citando risco de atrasos no fornecimento de energia. A medida visa ajustar obrigações contratuais e ações da Oracle caíram 3,3%.
A Oracle emitiu uma notificação de “força maior” a uma unidade da Blue Owl, desenvolvedora de um grande data center no estado do Novo México, citando possíveis atrasos no fornecimento de energia, segundo uma fonte a par do assunto. A medida foi comunicada na quinta-feira e visa ajustar obrigações contratuais diante de riscos de infraestrutura.
As ações da Oracle caíam 3,3% após as notícias. A fonte afirmou que garantir o fornecimento de energia para o local é de responsabilidade da Oracle, conforme previsto no contrato, e que a empresa não pode rescindir o contrato de locação sob nenhuma circunstância. A Blue Owl, gestora que detém a Stack Infrastructure, teria cerca de US$ 3 bilhões em capital próprio alocados no projeto, enquanto a Oracle permanece responsável pelo pagamento dos custos da dívida.
Ao invocar força maior, a Oracle busca prorrogar o período em que pagará à Blue Owl o aluguel mais baixo da fase de desenvolvimento. A Blue Owl ainda receberá o aluguel maior pelo prazo originalmente planejado, mas o início desse pagamento será adiado, conforme explicou a fonte. Durante a fase de desenvolvimento, a Blue Owl obtém um rendimento de 9% sobre seu capital próprio; após a conclusão do projeto, o rendimento alavancado deverá ficar em torno de 11%, segundo a mesma fonte.
A Oracle também estaria tentando adiar os pagamentos caso o data center, denominado Projeto Júpiter, sofra atrasos e não entre em operação em 2028, conforme planejado. Sobre o cronograma, a empresa declarou no início do dia:
“O Projeto Júpiter continua dentro do cronograma planejado”.
A Blue Owl afirmou que a notificação não altera os compromissos financeiros com esse projeto plurianual. O campus do Projeto Júpiter tem cerca de 570 hectares e, segundo reportagens, garantiu US$ 18 bilhões em empréstimos de um consórcio de bancos. O empreendimento faz parte de um acordo mais amplo para fornecer capacidade de computação em IA, associado a parceiros como a OpenAI, e integra a iniciativa Stargate, que envolve compromissos de investimento na ordem de US$ 500 bilhões.
O projeto enfrenta contratempos de infraestrutura, incluindo atrasos na construção de um gasoduto e contestação judicial sobre licenças relacionadas à água e à qualidade do ar. A construção em grande escala de infraestrutura para IA tem se deparado com desafios crescentes, à medida que desenvolvedores correm para garantir energia e outros recursos e gerenciam os custos de implantação de capacidade computacional.
Sobre impactos financeiros de curto prazo, a corretora William Blair avaliou que:
“Na prática, o ano fiscal de 2027 não deve ser afetado, já que o Jupiter não gera receita neste ano.”
Para investidores e gestores, a situação reforça a importância de monitorar riscos de fornecimento de energia, cronogramas regulatórios e termos contratuais que praticamente alocam responsabilidades entre locatário e desenvolvedor. Projetos desse porte exigem planejamento de contingência e clareza sobre alocação de custos durante as fases de desenvolvimento e operação.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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