Em maio de 1994, Edevair de Souza Faria desapareceu e criminosos exigiram resgate. O craque viveu um pesadelo familiar enquanto se preparava para conquistar o tetra.
A trajetória de Romário rumo ao tetracampeonato mundial em 1994 poderia ter tomado um rumo muito diferente. Antes de se tornar o grande herói da Seleção Brasileira nos Estados Unidos, o atacante enfrentou um dos momentos mais desafiadores de sua vida: o sequestro de seu pai, Edevair de Souza Faria.
O incidente ocorreu em maio de 1994, algumas semanas antes do início da Copa do Mundo. Enquanto o Brasil se preparava para a competição, a família de Romário vivenciava um verdadeiro pesadelo. Edevair desapareceu e, pouco tempo depois, os sequestradores entraram em contato, exigindo uma quantia elevada para a sua libertação.
Esse drama abalou profundamente o jogador, que era considerado a principal estrela da Seleção naquela época. Romário chegou a afirmar que não participaria da Copa caso seu pai não fosse encontrado. Essa declaração gerou uma enorme repercussão e aumentou a preocupação de torcedores, dirigentes e da comissão técnica, liderada por Carlos Alberto Parreira.
“Eu não jogaria a Copa sem saber do meu pai. Era uma situação insustentável,” relembrou Romário.
Décadas depois, o ex-jogador revisitou esse período no documentário “Romário – O Cara”, disponível no Prime Video. Nele, fala abertamente sobre o medo, a angústia e a sensação de impotência que sentiu durante aqueles dias. A busca por informações mobilizou familiares, amigos e pessoas de diferentes círculos de influência na tentativa de localizar seu pai rapidamente.
Felizmente, após quase uma semana de intensa tensão, Edevair foi resgatado com vida. Esse desfecho trouxe um alívio significativo para a família e permitiu que Romário finalmente direcionasse seu foco para a missão que tinha pela frente: liderar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
O restante da história se tornou uma lenda. Com atuações decisivas, gols importantes e uma parceria inesquecível com Bebeto, Romário foi uma peça fundamental na conquista do tetracampeonato, encerrando um jejum de 24 anos sem títulos mundiais para o Brasil.
Ao revisitar esse episódio no documentário, fica evidente que por trás do craque irreverente existia um filho desesperado para reencontrar o pai. É uma história que muitos torcedores desconhecem, mas que ilustra como um dos maiores momentos do futebol brasileiro esteve à beira de não acontecer.
Se o desfecho tivesse sido diferente, talvez a narrativa da Copa de 1994 fosse outra. Felizmente para Romário, para sua família e para o Brasil, aquele pesadelo terminou antes que a bola começasse a rolar.
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