A Justiça do Paraná condenou um pai e sua madrasta por forçar adolescentes a produzir conteúdo sexual. O casal usou ameaças e chantagens para coagir as vítimas. A defesa já anunciou recurso.
No dia 16 de junho de 2026, a Justiça do Paraná proferiu uma sentença severa contra um pai e sua madrasta, condenando-os a mais de 300 anos de prisão cada um. O casal foi responsabilizado por ameaçar duas adolescentes para forçá-las a produzir conteúdos pornográficos. A decisão reflete a seriedade dos crimes cometidos, que incluíram a coação, armazenamento e divulgação de material sexual, além de chantagens para obter novos conteúdos.
A defesa da madrasta expressou descontentamento com a sentença, afirmando que, embora respeitem a decisão, pretendem recorrer na esperança de reduzir a pena. O advogado do pai condenado não se manifestou. As investigações revelaram um cenário alarmante de controle e intimidação, onde as jovens, com idades de 13 e 15 anos à época, estavam sob constante ameaça para atender às exigências do casal.
Os crimes ocorreram em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O Tribunal optou por não divulgar os nomes dos réus para preservar a identidade das vítimas, que são irmãs de mãe. O pai foi condenado a 358 anos, 2 meses e 11 dias de prisão, enquanto a madrasta recebeu uma pena de 319 anos, 8 meses e 8 dias. O processo ainda não transitou em julgado, permitindo que as defesas recorram da sentença.
Os réus foram acusados de diversos crimes, incluindo coação para registro de cenas pornográficas, estupro de vulnerável, corrupção de menores, tráfico de pessoas, e produção e divulgação de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. O delegado responsável pelo caso, Gabriel Fontana, destacou que o primeiro vídeo foi gravado sob coação, sendo que a situação se agravou com a intensificação das ameaças, que incluíam a invocação de um suposto contexto de seita.
As adolescentes foram inicialmente convidadas para um passeio, mas foram levadas a um local onde foram forçadas a produzir conteúdos íntimos. Após essa experiência traumática, elas enfrentaram novas intimidações para continuar com as filmagens, com as exigências aumentando ao longo do tempo. O Ministério Público do Paraná relatou que o casal impôs metas diárias de produção e controlou as atividades das meninas por meio de aplicativos de mensagens, dando orientações detalhadas sobre as gravações.
Em comunicações obtidas pela Polícia Civil, ficou claro que as jovens enviavam uma quantidade alarmante de arquivos diariamente, com prazos rigorosos. A situação teve repercussões devastadoras para as vítimas, que sofreram humilhações e perseguições na escola, levando uma delas a faltar a mais de 300 aulas e repetir o ano escolar. A mãe das adolescentes também enfrentou dificuldades, perdendo o emprego devido à divulgação do material.
O Tribunal de Justiça do Paraná impôs ainda que os réus indenizassem as vítimas em R$ 100 mil cada. Embora a soma das penas possa ultrapassar 300 anos, a legislação brasileira estabelece um limite máximo de 40 anos de prisão a ser cumprido, independentemente da gravidade dos crimes. A defesa da madrasta argumentou que a pena é desproporcional e invocou a possibilidade de recorrer, buscando uma revisão da decisão.

