Suspeitos do assassinato de delegado aposentado de SP guardavam fotos de Sergio Moro e do promotor Lincoln Gakiya. Investigadores apuram se imagens indicam vigilância do PCC sobre autoridades do combate ao crime.
A investigação em torno do assassinato do delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, revelou que os suspeitos do crime armazenavam em seus celulares imagens do ex-ministro da Justiça e senador Sergio Moro e do promotor de Justiça Lincoln Gakiya. Essa descoberta foi feita durante as apurações do caso, que se concentram em entender o real significado dessas imagens e sua relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os investigadores estão analisando se essas fotos representam apenas o monitoramento de figuras proeminentes no combate ao crime organizado ou se têm alguma ligação com um possível plano de ação da facção criminosa. Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em setembro do ano passado, e as autoridades acreditam que a ordem para o crime partiu de integrantes do PCC.
Os celulares em questão pertenciam a Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Careca. Além das imagens de Moro e Gakiya, os investigadores encontraram registros que indicam a presença do suspeito em São Caetano do Sul, município no ABC Paulista, local onde o ex-delegado residia. A análise dos dados revelou que Careca esteve na cidade logo após ser libertado do sistema prisional, em 2023, e também estava presente no município em 1º de setembro de 2025, apenas duas semanas antes do assassinato.
As autoridades afirmam que tanto Sergio Moro quanto Lincoln Gakiya são considerados alvos de ameaças significativas por parte do PCC. Gakiya é conhecido por seu trabalho em investigações contra a facção e por ter participado de operações que atingiram sua estrutura financeira. Por outro lado, Moro se destacou nacionalmente durante a Operação Lava Jato e já foi alvo de um plano de atentado descoberto pela Polícia Federal em 2023.
Até o momento, não foram encontrados indícios concretos de que os suspeitos planejavam ações contra Moro ou Gakiya. Contudo, a presença das imagens nos celulares dos suspeitos chamou a atenção das autoridades e agora faz parte das evidências que estão sendo cuidadosamente analisadas no inquérito.
Ruy Ferraz Fontes dedicou décadas de sua vida à Polícia Civil paulista, participando de investigações de grande notoriedade. Sua morte causou uma onda de indignação entre as autoridades de segurança pública, levando a um aumento nas apurações em busca de justiça.
Atualmente, a investigação já indiciou 12 suspeitos, incluindo Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho, e Márcio Serapião de Oliveira, apelidado de Velhote. Esses indivíduos são vistos como potenciais mandantes, financiadores ou articuladores do homicídio. A investigação continua em andamento, buscando estabelecer a participação de cada um e possíveis conexões do crime com outras ações do PCC.

Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






