O Senado deve votar a PEC que extingue a jornada 6×1. Com as eleições de 2026 no horizonte, parlamentares de todos os lados temem o desgaste político de votar contra a medida.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir gradualmente a escala 6×1 está prestes a ser analisada pelo Senado. Essa proposta, que já recebeu um amplo apoio na Câmara dos Deputados, é vista como uma medida que pode impactar diretamente as urnas nas próximas eleições.
Com a proximidade das eleições de 2026, a percepção entre os parlamentares, incluindo governistas, integrantes do centrão e até mesmo a oposição, é de que votar contra essa medida pode resultar em consequências negativas na avaliação do eleitorado. Essa pressão é reforçada pelo crescente apoio popular que a PEC vem recebendo, o que diminui as chances de resistência dentro da Casa.
Um senador do centrão expressou a dificuldade de se opor a uma proposta que, segundo a percepção pública, visa melhorar a vida dos trabalhadores. “É muito difícil alguém querer carregar o desgaste de votar contra uma medida que é vista como benéfica”, afirmou.
Além disso, a discussão sobre a PEC ocorre em um momento de intensa movimentação política, já que, em 2026, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa. Essa realidade torna a aprovação da PEC ainda mais relevante para muitos senadores que buscam a reeleição.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) comentou que o clima de pré-campanha está afetando a rotina do Senado, resultando em um ambiente semipresencial que dificulta as discussões. Ela acredita que, apesar das dificuldades, a PEC terá um avanço na Casa.
Por outro lado, o senador Hamilton Mourão expressou preocupação quanto à precipitação da discussão e aos efeitos que a PEC pode ter na economia. “É um tema muito mal trabalhado e que, da forma como está, poderá trazer problemas significativos”, ressaltou. Mourão destacou que a oposição terá um papel importante em tentar modificar o texto durante a tramitação.
Enquanto isso, os integrantes da articulação política do governo buscam manter o acordo feito entre o presidente e o presidente da Câmara, garantindo que os principais pontos do texto sejam mantidos. Para o governo, rejeitar a proposta ou fazer mudanças que atrasem sua tramitação resultaria em um desgaste político difícil de ser administrado em um momento tão próximo das eleições.
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