Credores da Americanas contestaram na Justiça o cumprimento do plano de recuperação judicial da companhia. Segundo petições apresentadas à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, a empresa teria cometido falhas nos pagamentos previstos no acordo aprovado em dezembro de 2023.
Os documentos, protocolados entre março e maio deste ano, também sustentam que a varejista ainda não reúne condições para antecipar o encerramento da recuperação judicial. A Americanas pediu à Justiça, em março, para deixar o processo, mas o pedido continua sem decisão.
Americanas: símbolo do varejo brasileiro abatido por fraude contábil e em recuperação judicial.
As petições apontam pagamentos incompletos, descontos na conversão de dívidas em dólares para reais, alteração da categoria de alguns credores e atrasos na quitação de valores.
Em nota, a Americanas afirmou que “eventuais manifestações de credores específicos” fazem parte da dinâmica do processo de recuperação judicial.
A contestação ocorre poucos dias depois da segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. A investigação apura a suposta participação de acionistas de referência e do presidente do conselho de administração no caso. O inquérito também mira executivos e ex-executivos dos bancos Santander, Itaú e Bradesco, todos suspeitos de envolvimento na fraude contábil que o mercado atribui à Americanas. A companhia estima o rombo divulgado em R$ 25,3 bilhões.
A operação surpreendeu acionistas e a própria empresa. Contudo, um executivo da Americanas, sob condição de anonimato, afirmou que o pedido para antecipar o fim da recuperação judicial segue normalmente e que as investigações não o afetaram.
O plano de recuperação judicial foi aprovado em 2023. O documento prevê a distribuição proporcional de um crédito de R$ 100 milhões, que a empresa destinará aos credores que integram a categoria de fornecedores de tecnologia.

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