Roda totalmente no PC do usuário, transferindo processamento da nuvem para proteger dados sensíveis e reduzir custos. Feito em parceria com a Nvidia, já disponível em Linux; versão para Windows sai em setembro.
A Perplexity revelou o Portable Computer, uma versão da sua plataforma de inteligência artificial projetada para rodar totalmente no hardware do usuário. O objetivo da iniciativa foi transferir cargas de trabalho da nuvem para máquinas locais, protegendo documentos sensíveis e reduzindo custos associados ao consumo de tokens em ambientes corporativos.
O sistema foi desenvolvido em parceria com a Nvidia e já está disponível globalmente para sistemas baseados em Linux. A chegada do suporte oficial para Windows está agendada para setembro, enquanto arquiteturas Apple Silicon (Macs com chips M) seguem fora do radar de desenvolvimento. O software foi liberado na terça-feira (25/08) como uma versão “turbinada” do projeto original Computer, lançado em fevereiro; a diferença central é que, agora, toda a infraestrutura roda de forma isolada na própria máquina.
“Today we’re launching Portable Computer on @NVIDIA DGX Spark. Portable Computer is a fully local version of Perplexity Computer, where the entire runtime: orchestrator LLM, subagent LLM, agent harness all run on your local hardware. No cloud dependency.” — Perplexity (publicação de 25/08/2026)
O processamento local elimina a cobrança por uso de tokens a cada requisição, respondendo à demanda crescente do mercado corporativo por agentes de IA que realizam tarefas autônomas e intensivas em processamento. Em caso de análises muito complexas que ultrapassem a capacidade do hardware, o agente tem comportamento híbrido: ele pausa a ação e solicita permissão ao usuário antes de acionar um modelo de nuvem mais potente, como o Claude Opus 5. A arquitetura foi pensada para preservar privacidade — quando o sistema recorre ao modelo remoto, este devolve apenas orientações em texto, sem acessar documentos, pastas ou arquivos locais.
“incorpora tudo o que é necessário para funcionar localmente” — Nate Kupp, vice-presidente de engenharia de infraestrutura da Perplexity.
Os requisitos de hardware são rígidos: o software exige pelo menos 24 GB de VRAM, o que demanda GPUs de alto desempenho, como a GeForce RTX 3090 ou superiores. No lançamento, o Portable Computer pode ser configurado nativamente com o modelo Qwen 3.8 27B ou com o PPLX 27B — uma versão otimizada internamente com base no Qwen. A documentação também confirmou suporte iminente à arquitetura Nemotron, composta por modelos de código aberto da Nvidia.
Apesar de rodar localmente, a plataforma mantém integração com aplicativos externos como Google Drive, Gmail, GitHub e Slack, permitindo que a IA extraia dados financeiros, processe planilhas e compartilhe análises prontas. Em testes internos, no Local Knowledge Work Bench composto por 53 tarefas de análise e pesquisa, o modelo PPLX 27B rodando em um DGX Spark alcançou 85,4% de precisão, demandando menos tempo de processamento em comparação a arquiteturas abertas concorrentes citadas nos testes.
Na primeira fase, o Portable Computer está restrito ao Linux e a contas corporativas associadas aos planos Pro. A Nvidia estuda um investimento que poderia avaliar a Perplexity em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 154 bilhões em conversão direta), o que sinaliza interesse estratégico por parte de fornecedores de hardware em soluções de IA locais.
Para equipes técnicas e gestores, a novidade apresenta um caminho prático: concentrar processamento sensível em infraestruturas on-premise quando o volume e a confidencialidade dos dados justificarem o investimento em GPUs robustas; optar pelo modo híbrido quando for necessário escalar para modelos de nuvem sob permissão explícita do usuário. O Portable Computer representa um movimento claro em direção à execução local de agentes de IA, com ganhos de privacidade e previsibilidade de custos, mas também com requisitos de hardware e planejamento operacional que devem ser avaliados antes da adoção.



Fonte: Tecnoblog
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