Magda Chambriard disse que a segunda descoberta no poço 1-BRSA-1405-APS aumenta as expectativas de nova fronteira exploratória. O poço foi perfurado em lâmina d'água de 2.886 m, a 175 km da costa do Amapá.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira (2) que a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho aumenta as expectativas pela abertura de uma nova fronteira exploratória no país. O anúncio reforça o foco da empresa em avaliar o potencial comercial da Margem Equatorial e orientar os próximos passos operacionais e de avaliação.
O poço identificado como 1-BRSA-1405-APS está em águas ultraprofundas, em lâmina d’água de 2.886 metros, a 175 quilômetros da costa do Amapá. Essas coordenadas técnicas confirmam a escala e a complexidade das operações envolvidas, que exigem sondas, logística marítima especializada e procedimentos regulatórios rígidos.
Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória. Existe o otimismo de que essa fronteira ajude a mitigar o déficit de produção no Brasil. Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente, medida que agrega petróleo e gás natural. Essa projeção reforça por que a área tem despertado atenção das equipes técnicas e do mercado.
A primeira descoberta no poço Morpho havia ocorrido em agosto deste ano, e a nova informação consolida a sequência de resultados que justificam investimentos adicionais em delimitação e avaliação de comercialidade.
Todas as etapas até agora estão confirmando as anteriores e esquentando a área. A cada nova notícia, estamos aumentando o valor destas áreas exploratórias para a Petrobras. Estamos esquentando o Amapá, o estado está ficando mais valioso a cada dia
Durante a coletiva, a presidente exibiu uma amostra de óleo extraída do poço Morpho. Ao ser questionada sobre a qualidade do material, ela afirmou ser maravilhoso e de baixa viscosidade, observação que indica propriedades potencialmente favoráveis no processamento e refino. O grau API exato e outros dados técnicos permanecem sob sigilo regulatório.
maravilhoso
Em relação ao cronograma, a Petrobras obteve autorização para perfurar áreas na Foz do Amazonas em outubro de 2025. A conclusão dos testes e manobras no poço Morpho deve continuar até o final de outubro. Em seguida, a sonda será desmobilizada e enviada para o Rio Grande do Norte para perfurar o prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro. No Bloco FZA-M-59, o planejamento inclui uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027 para a perfuração de três poços de delimitação, com o objetivo de avaliar volume das jazidas e definir a comercialidade.
No plano de riscos e impactos, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a pedir na Justiça, na segunda-feira (28), a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras para explorar a bacia da Foz do Amazonas. A ação, protocolada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), pede a paralisação imediata de qualquer atividade de perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59.
O MPF aponta como argumentos a ocorrência de um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar em uma operação de sonda em janeiro deste ano e a ausência de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, quilombolas e pescadores artesanais do Amapá e do Pará, conforme previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Os próximos meses serão decisivos para confirmar se as descobertas se traduzirão em volumes comerciais e como serão conciliadas as exigências técnicas, regulatórias e socioambientais. Para a Petrobras e para as autoridades, o desafio imediato será concluir os testes, consolidar dados técnicos e seguir procedimentos de licenciamento e diálogo com as comunidades afetadas, mantendo transparência sobre resultados e prazos.
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