No dia 29 de maio de 2026, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, fez uma declaração impactante sobre a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Gakiya enfatizou que essa classificação não representa um avanço significativo no combate ao crime organizado no Brasil e, ao contrário, pode acarretar sérias consequências econômicas, diplomáticas e de segurança para o país. Segundo ele, PCC e CV têm características que se assemelham a máfias, mas não se encaixam na definição de organizações terroristas.
“Eu não considero a classificação dada pelos Estados Unidos ao PCC e ao Comando Vermelho como uma medida importante para melhorar o combate às organizações criminosas no Brasil”, afirmou Gakiya.
O promotor destacou a periculosidade desses grupos, que possuem uma elevada infiltração nas estruturas do Estado e dominam territorialmente diversas áreas. Gakiya enfatizou que, apesar de sua atuação transnacional e empresarial, as facções têm como objetivo principal o lucro, e não uma motivação política ou ideológica.
“Essas organizações podem ser classificadas como mafiosas, mas não são organizações terroristas porque não possuem motivação política ou ideológica”, disse Gakiya.
Ele alertou sobre o risco de sanções econômicas que podem afetar empresas e instituições financeiras brasileiras, caso estas mantenham qualquer tipo de relacionamento com indivíduos ligados ao PCC ou ao CV. Gakiya mencionou que o sistema bancário brasileiro está interconectado com o sistema financeiro dos Estados Unidos, o que pode resultar em penalizações para aquelas instituições que realizem transações com pessoas vinculadas a essas facções.
“A medida pode gerar sanções não apenas contra indivíduos, mas também contra instituições financeiras ou empresas”, explicou.
Além disso, o promotor expressou sua preocupação com a militarização do combate ao crime, uma vez que a classificação como organizações terroristas pode mudar a forma como o tema é tratado, passando de uma questão policial para uma questão de defesa nacional. Isso pode impactar a cooperação internacional entre as autoridades brasileiras e norte-americanas, dificultando a troca de informações essenciais no combate ao crime organizado.
“Quando essas organizações passam a ser classificadas como terroristas, o assunto deixa de ser tratado apenas como uma questão policial”, afirmou.
Gakiya também levantou uma questão delicada sobre a soberania nacional, mencionando a possibilidade de ações militares fora do território americano sem a anuência do país onde tais ações ocorrem. Ele ressaltou que, caso houvesse uma operação desse tipo no Brasil, isso seria uma afronta à soberania nacional.
Para Gakiya, é fundamental que o combate ao PCC e ao Comando Vermelho continue sendo tratado como uma questão de segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, sem a equiparação automática dessas facções a grupos terroristas. Essa abordagem é essencial para garantir a integridade do Estado e preservar a soberania nacional.
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