A Amazon anunciou o lançamento do Amazon Supply Chain Services, ampliando sua estrutura logística para atender embarcadores terceirizados além dos vendedores do próprio marketplace. Apesar do impacto imediato no mercado, analistas da Stifel classificaram a reação como exagerada.
A nova solução reúne toda a infraestrutura logística da companhia — incluindo transporte de carga com reboques, contêineres intermodais e frota aérea — aos seus centros de distribuição e à rede de entregas de última milha. Com isso, empresas de diferentes portes passam a ter acesso a uma plataforma integrada que, até então, era restrita a programas como Fulfillment by Amazon e Multi-Channel Fulfillment.
O anúncio provocou forte queda nas ações do setor de transporte. Empresas como C.H. Robinson e RXO recuaram cerca de 10%, enquanto a GXO Logistics registrou queda de 18%, sua pior desvalorização diária desde a abertura de capital. A Forward Air caiu 24%, e gigantes como FedEx e UPS recuaram 9% e 10,5%, respectivamente.
Na avaliação do Stifel, porém, o movimento não representa uma mudança estrutural relevante nas capacidades da Amazon. A empresa já atua há mais de uma década com serviços logísticos para terceiros, inicialmente com corretagem de transporte rodoviário e, posteriormente, expandindo para transporte aéreo, cargas fracionadas (LTL) e outras soluções.
Os analistas destacam que a estratégia da Amazon parece focada em otimizar e aumentar a utilização de sua própria capacidade logística, em vez de competir diretamente com grandes operadores do setor. O serviço tende a atrair clientes mais sensíveis a preço, seguindo um modelo semelhante ao de outras companhias que comercializam capacidade ociosa.
Levantamentos do setor indicam que a Amazon ainda tem participação limitada em grandes processos competitivos de contratação logística. Empresas como Procter & Gamble, 3M, Lands’ End e American Eagle estariam direcionando à plataforma apenas cargas mais padronizadas ou operações vinculadas ao ecossistema da própria Amazon.
Mesmo diante da volatilidade, o Stifel manteve recomendação de compra para empresas como FedEx, UPS, Forward Air e GXO, citando sinais iniciais de recuperação no ciclo do setor e maior disciplina na oferta de capacidade.
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