Os ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram saídas significativas no início da semana encurtada pelo feriado. Na quarta-feira, os fundos apresentaram US$ 120,2 milhões em saídas líquidas (aproximadamente R$ 697,2 milhões, considerando câmbio de R$ 5,80), elevando as retiradas nas duas primeiras sessões da semana para um total de US$ 166,8 milhões (cerca de R$ 967,4 milhões), segundo dados da Farside Investors. Esse movimento interrompeu a sequência de três semanas de entradas que os fundos vinham registrando em 2026.
No dia, o ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB) liderou as retiradas com US$ 78 milhões (R$ 452,4 milhões), seguido pelo Grayscale Bitcoin Trust ETF (GBTC), com US$ 27,2 milhões (R$ 157,8 milhões), e pelo iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT), da BlackRock, com US$ 19,5 milhões (R$ 113,1 milhões). O Morgan Stanley Bitcoin Trust (MSBT) foi o único fundo a registrar entrada no dia, com US$ 4,5 milhões (R$ 26,1 milhões).
A quarta-feira veio após US$ 46,6 milhões (R$ 270,3 milhões) em saídas na terça-feira, marcando os primeiros dois dias consecutivos de resgates da categoria desde que uma sequência de três dias terminou em 14 de agosto. Análises anteriores sobre a captação de US$ 3,8 bilhões durante a sequência de três semanas apontaram que a retração de dois dias já eliminou cerca de 4,4% desse montante.
Os ETFs de Bitcoin acumularam aproximadamente US$ 55 bilhões (R$ 319 bilhões) em entradas líquidas desde o lançamento, enquanto o saldo combinado de 2026 somava cerca de US$ 1,07 bilhão (R$ 6,2 bilhões) em saídas, conforme os mesmos dados da Farside Investors. O histórico recente desses fluxos mostrou que reversões de curto prazo já ocorreram outras vezes sem se converter automaticamente em tendência estrutural.
Os fluxos em ETFs de outras criptomoedas seguiram direções distintas. Os ETFs spot de Ether nos EUA atraíram US$ 34,7 milhões (R$ 201,3 milhões) na quarta-feira, após US$ 24,3 milhões (R$ 140,9 milhões) em saídas na terça-feira, fechando a semana com entrada líquida de US$ 10,4 milhões (R$ 60,3 milhões). O ETHB, da BlackRock, liderou as entradas com US$ 22,9 milhões (R$ 132,8 milhões), seguido pelo ETHA, com US$ 9,7 milhões (R$ 56,3 milhões), e pelo TETH, da 21Shares, com US$ 2,1 milhões (R$ 12,2 milhões).
Os ETFs spot de Solana reverteram a saída de cerca de US$ 700 mil registrada na terça-feira, atraindo US$ 11,2 milhões (R$ 65 milhões) na quarta-feira — todo o fluxo foi direcionado ao BSOL, da Bitwise — e elevando o total de duas sessões para US$ 10,5 milhões (R$ 60,9 milhões) em entradas líquidas. Já os ETFs de Hyperliquid tiveram a segunda sessão consecutiva de saídas, perdendo US$ 5,3 milhões (R$ 30,7 milhões) na quarta-feira após US$ 13 milhões (R$ 75,4 milhões) na terça-feira, o que elevou a saída semanal para US$ 18,3 milhões (R$ 106,1 milhões).
Os fluxos mistos ocorreram enquanto o Bitcoin era negociado perto de US$ 78.000 (R$ 452.400) na quinta-feira, abaixo dos cerca de US$ 79.700 (R$ 462.260) registrados quando os números da sequência de três semanas foram divulgados. O Ether operava em torno de US$ 2.470 (R$ 14.326) e a Solana perto de US$ 101 (R$ 585,80), de acordo com a CoinGecko.
Dados publicados pelo SpaceMoney, com base na SoSoValue, indicaram que os ETFs de Bitcoin ampliaram as retiradas na quinta-feira, elevando o acumulado de três dias para valores mais altos que os das duas primeiras sessões — um número que trata de um período e metodologia distintos dos apurados pela Farside Investors até quarta-feira. A evidência disponível confirmou a interrupção recente da sequência de entradas, mas não sustentou, por si só, conclusões sobre realização de lucros, rotação para outros ativos ou abandono estrutural da classe por parte dos investidores institucionais.
Para investidores e gestores, o episódio reforçou uma lição prática: fluxos em ETFs podem oscilar com rapidez sem necessariamente alterar o panorama de longo prazo. Manter disciplina, revisar alocação em função de objetivos e riscos, e evitar extrapolar movimentos de curto prazo continuam sendo abordagens úteis na gestão de portfólios expostos a ativos voláteis como criptomoedas.
Fonte: CriptoFacil
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