Na última terça-feira, 29 de maio de 2026, o ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, expressou suas preocupações sobre a possível classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Ele acredita que essa medida não traria benefícios para o Brasil e poderia comprometer décadas de cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Sarrubbo destacou que o Brasil mantém uma relação de colaboração estreita com autoridades norte-americanas e de outros países da América Latina, com o objetivo de enfrentar organizações criminosas transnacionais. Ele mencionou que essa cooperação abrange a troca de informações, investigações conjuntas e até pedidos para bloqueio de bens de membros de facções criminosas em territórios estrangeiros.
“O Brasil já tem um trabalho de longa data nessa área, que não é deste governo nem de um governo específico. Há uma cooperação muito fluida entre Brasil, Estados Unidos e nossos parceiros da América Latina”, afirmou Sarrubbo.
O ex-secretário também ressaltou que o país possui estruturas consolidadas de cooperação internacional, incluindo centros com a participação de agentes estrangeiros. Para ele, a ideia de que o Brasil abriga ou incentiva organizações terroristas não reflete a realidade.
Sarrubbo argumentou que, de acordo com a legislação brasileira, o PCC e o Comando Vermelho não se encaixam na definição de organizações terroristas. Ele explicou que a definição legal de terrorismo no Brasil está relacionada a motivações políticas, religiosas, ideológicas, raciais ou étnicas.
“As facções que atuam no Brasil são organizações econômicas voltadas ao lucro, obtido por meio da violência e da prática de crimes, especialmente o tráfico de drogas e outros delitos correlatos”, explicou.
De acordo com a avaliação de Sarrubbo, a mudança de classificação pelos Estados Unidos poderia alterar significativamente a forma como as facções são tratadas pelas autoridades americanas. Em vez de serem vistas como um problema de polícia, poderiam ser encaradas como uma questão de defesa nacional.
Isso, segundo ele, poderia reduzir o protagonismo de órgãos como o FBI, que mantém comunicação estreita com as agências brasileiras, transferindo atribuições para organismos de inteligência e defesa, como a CIA e as Forças Armadas dos Estados Unidos.
“Isso não amplia a cooperação. Muito pelo contrário. Pode tornar mais difícil a articulação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado”, afirmou.
Além das implicações na cooperação policial e investigativa, Sarrubbo também alertou sobre possíveis consequências econômicas da medida. Ele acredita que a classificação não oferece vantagens para o Brasil e pode enfraquecer estratégias já consolidadas de enfrentamento às facções criminosas.
“O Brasil não ganha absolutamente nada com isso. Aqueles que comemoram esse tipo de solução estão, na verdade, comemorando algo que prejudica o combate ao crime organizado. É uma situação muito ruim, e esperamos que isso possa ser superado no futuro”, concluiu.
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