As feridas de sol nos lábios, conhecidas como queilite actínica, representam um acúmulo de danos causados pela radiação ultravioleta ao longo dos anos. Diferente de um simples ressecamento, essa condição provoca inflamação crônica e persistente, alterando a textura e a cor da pele da boca. Trata-se de um problema que exige atenção rigorosa, visto que as lesões não cicatrizam sozinhas e podem evoluir para câncer de lábio se forem ignoradas.
Os pacientes costumam perceber que algo está errado quando o uso de hidratantes comuns não resolve o aspecto machucado dos lábios. Os sintomas físicos progridem lentamente, afetando, na maioria das vezes, o lábio inferior, que fica mais exposto à luz solar direta. Entre os sinais mais comuns estão:
1. Perda do contorno natural que separa o lábio da pele do rosto.
2. Descamação persistente que não melhora com a hidratação diária.
3. Sensação de aspereza constante, semelhante a uma lixa fina.
4. Rachaduras profundas que sangram com facilidade ao sorrir ou falar.
5. Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas que não desaparecem da mucosa.
6. Ardência e sensibilidade excessiva ao consumir alimentos quentes ou ácidos.
A origem dessas lesões solares está diretamente ligada à exposição solar sem proteção. A pele dos lábios é extremamente fina e possui pouca melanina, o que a torna mais vulnerável. Quem passa anos trabalhando ao ar livre ou frequentando praias sem proteção facial deve estar ciente dos riscos, pois os raios solares podem danificar as células dessa região de forma irreversível.
Estudos recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam que, em 2026, o Brasil deve registrar cerca de 10,9 mil novos casos de câncer de lábio, principalmente entre homens que exercem atividades externas, como agricultura e construção civil, e que frequentemente negligenciam os cuidados com o rosto.
O diagnóstico geralmente é realizado por dermatologistas ou estomatologistas, que examinam a textura da pele e fazem perguntas sobre os hábitos de exposição solar do paciente. Caso seja observada alguma ferida suspeita que persista por mais de duas semanas, uma biópsia pode ser solicitada para análise.
O tratamento depende do estágio das lesões. Nas fases iniciais, o foco é interromper o dano solar contínuo. O uso de protetor solar labial com fator de proteção solar (FPS) acima de 30 é crucial, mesmo em dias nublados. Para lesões mais avançadas, o médico pode indicar tratamentos como pomadas, terapias a laser ou intervenções cirúrgicas.
É importante lembrar que o surgimento de qualquer machucado ou mancha nos lábios que persista por mais de quinze dias exige avaliação médica imediata. O tratamento inadequado pode atrasar diagnósticos importantes e agravar o quadro clínico.
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