Pela primeira vez, o Fórum Jurídico de Lisboa reúne apenas dois ministros do STF. O caso Banco Master e a pressão por ética na magistratura afastaram os demais, às vésperas das eleições de 2026.
O Fórum Jurídico de Lisboa, amplamente conhecido como “Gilmarpalooza”, teve início na última segunda-feira, 1º de junho de 2026, marcando um momento inédito em sua história. Neste ano, a presença do Supremo Tribunal Federal (STF) no evento será consideravelmente reduzida, com apenas dois ministros confirmados.
Essa diminuição na participação dos ministros do STF ocorre em meio a importantes repercussões relacionadas ao caso Banco Master, que gerou um clima de incerteza e exigência por um código de ética mais rigoroso para os magistrados. Além disso, a proximidade das eleições de 2026 contribui para um cenário mais cauteloso por parte dos integrantes do Judiciário.
“Não obtive autorização médica para um longo voo até Lisboa, a fim de participar de mais uma edição do sempre bem-sucedido Fórum, coordenado pelo colega e amigo Gilmar Mendes,”
disse o ministro Flávio Dino, que cancelou sua participação devido a um pequeno acidente doméstico. Assim, os únicos representantes do STF no evento são Gilmar Mendes, que é também o anfitrião, e Alexandre de Moraes.
O evento em Lisboa ainda contará com a presença de importantes figuras políticas e autoridades. Treze ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) participarão dos painéis, incluindo Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva, Rogério Schietti Cruz e Sebastião Reis Júnior, todos com experiência em edições anteriores do Fórum.
Entre os políticos confirmados estão Hugo Motta, presidente da Câmara; Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado; Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central; além dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Raquel Lyra (Pernambuco), Wanderlei Barbosa (Tocantins) e Helder Barbalho, ex-governador do Pará e pré-candidato ao Senado.
A redução do número de participantes do STF neste ano contrasta com as edições anteriores, onde em 2024, por exemplo, estiveram presentes nomes como Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. A situação atual é interpretada como um reflexo da cautela necessária diante das recentes controvérsias que cercam a relação entre o Judiciário e o setor financeiro.
O caso Banco Master, que trouxe à tona questões sobre a proximidade entre autoridades e empresários, está no centro das discussões. A diminuição da presença de ministros no Fórum é vista como uma tentativa de preservar a imagem das instituições em um momento de escrutínio intenso, especialmente em relação a eventos que envolvem magistrados e agentes do mercado privado.


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