As ações de empresas do setor de petróleo dos Estados Unidos registraram forte alta na segunda-feira após declarações do presidente Donald Trump sobre a Venezuela. Segundo ele, a remoção do governo de Nicolás Maduro poderia abrir caminho para que companhias americanas explorassem as vastas reservas petrolíferas do país, alterando significativamente o equilíbrio do mercado global de energia.
Em pronunciamento público, Trump afirmou que grandes petrolíferas dos EUA teriam papel fundamental na recuperação do setor energético venezuelano, hoje marcado por décadas de abandono e subinvestimento.
“Vamos trazer nossas maiores empresas de petróleo, as melhores do mundo, para investir bilhões de dólares, recuperar uma infraestrutura severamente danificada e voltar a gerar riqueza para o país”, disse o presidente. Ele acrescentou que a Venezuela atualmente produz “quase nada” em relação ao seu potencial.
A reação do mercado foi imediata. As ações da Chevron avançaram mais de 6%, enquanto a Exxon Mobil subiu mais de 3% até às 06h27 (horário de Brasília). A SLB disparou quase 8%, e Halliburton e ConocoPhillips registraram ganhos próximos de 7%. Valero Energy teve alta de cerca de 6%, e a Baker Hughes avançou aproximadamente 6,7%.
Apesar da forte valorização das ações, os preços do petróleo recuaram no mesmo dia. O movimento foi atribuído à ampla oferta global, que superou as preocupações iniciais com eventuais interrupções na produção após a captura de Maduro. O petróleo Brent caiu 0,6%, para US$ 60,38 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuou 0,7%, para US$ 56,92.
As declarações de Trump ocorreram após uma operação surpresa realizada no sábado, quando forças armadas e agentes de segurança dos EUA detiveram Maduro e realizaram ataques em regiões de Caracas. O presidente afirmou que os Estados Unidos passariam a “administrar” temporariamente a Venezuela, mas não detalhou como esse processo ocorreria nem quem participaria da gestão.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo — cerca de 300 bilhões de barris, segundo o Energy Institute — superando até mesmo a Arábia Saudita. No entanto, especialistas alertam que a recuperação da produção exigiria anos de trabalho e investimentos bilionários.
De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), a infraestrutura petrolífera do país está profundamente deteriorada. Muitos oleodutos têm mais de 50 anos, e a modernização do setor exigiria mais de US$ 8 bilhões apenas para retomar níveis de produção semelhantes aos da década de 1990, cenário ainda mais complexo diante da instabilidade política.
Atualmente, a Chevron é a única grande petrolífera americana com operações na Venezuela, produzindo petróleo pesado destinado a refinarias da Costa do Golfo dos EUA. Exxon Mobil e ConocoPhillips também atuaram no país no passado, antes das nacionalizações promovidas pelo ex-presidente Hugo Chávez.
Trump voltou a criticar duramente essas nacionalizações, classificando-as como “um dos maiores roubos de propriedade americana da história”. Segundo ele, “a indústria petrolífera da Venezuela foi construída com talento e tecnologia dos Estados Unidos e depois tomada pelo regime socialista”.
O presidente confirmou que o embargo americano ao petróleo venezuelano seguirá em vigor. Enquanto isso, a China permanece como o principal comprador do petróleo do país, embora a falta de transparência dificulte a mensuração dos volumes negociados. Uma maior presença dos EUA no setor energético venezuelano pode ampliar as tensões com Pequim, que já condenou a retirada de Maduro do poder.
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