Donald Trump se reunirá na próxima semana com refinarias e varejistas para pedir ações que baixem o preço da gasolina. A iniciativa busca aliviar o impacto da guerra com o Irã e conter riscos políticos antes das eleições.
O presidente norte-americano Donald Trump deverá se reunir com refinarias e varejistas de combustível na próxima semana, segundo fontes a par do assunto, para destacar esforços para reduzir os preços da gasolina. A iniciativa fará parte do esforço do governo para aliviar a pressão sobre consumidores provocada pela guerra contra o Irã, com objetivo de responder a preocupações econômicas antes das eleições legislativas de meio de mandato em novembro.
Os riscos políticos são altos para Trump e para seus pares republicanos, que tentarão defender maiorias estreitas no Congresso em novembro. Uma pesquisa mostrou que o índice de aprovação de Trump caiu para 33%, com apenas 31% dos norte-americanos aprovando o conflito, cenário que adiciona urgência às ações voltadas ao custo de vida.
Espera-se que entre os participantes da reunião estejam refinarias como a Valero Energy Corp, a Marathon Petroleum Corporation e a PBF Energy Inc, além de grandes varejistas, segundo duas fontes a par dos planos. Autoridades e representantes do setor deverão abordar alternativas práticas para reduzir o preço final ao consumidor, incluindo ajustes operacionais, logísticos e comerciais que possam ter impacto no curto prazo.
As maiores empresas petrolíferas e refinarias dos EUA divulgaram sólidos resultados no segundo trimestre, à medida que a guerra com o Irã desorganizou os mercados globais de energia e reduziu a oferta de gasolina e outros produtos refinados. Esses resultados geraram críticas públicas do presidente, que argumentou que as empresas que se beneficiaram dos preços mais altos deveriam adotar medidas para reduzir custos para os consumidores. Trump tem pressionado publicamente os principais produtores e refinarias a baixarem os preços.
O conflito elevou os preços do petróleo e da gasolina ao interromper fluxos de energia pelo Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, que começou em 28 de fevereiro. O preço da gasolina comum nos EUA tem ficado acima de US$4 por galão (3,8 litros), cerca de US$1 a mais do que há um ano, criando um fardo econômico especialmente visível para eleitores às vésperas das eleições de meio de mandato. Os preços do petróleo chegaram a atingir US$112 por barril por conta do conflito, embora o petróleo bruto tenha recuado desde então, à medida que o transporte marítimo pelo estreito foi parcialmente retomado.
Também circulam discussões que incluem a possibilidade de um arrendamento de até 100 anos de campos petrolíferos, parte de uma estratégia para ampliar influência sobre o governo venezuelano após a queda de Nicolás Maduro. Esses temas poderão surgir nas conversas entre governo e setor privado como alternativas para aumentar oferta e reduzir preços.
Para consumidores, investidores e operadores do mercado, a reunião na próxima semana deverá sinalizar prioridades do governo e possíveis medidas práticas de curto prazo. A atenção ficará sobre eventuais compromissos do setor em reduzir margens, alterar práticas de preços ou adotar medidas que tenham impacto direto no abastecimento e no preço final nas bombas.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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