Rede teve perdas superiores a R$10 bi no 2º trimestre após fechar 298 lojas. A companhia atribui R$9,1 bi a efeitos contábeis não recorrentes e não afasta novo pedido de recuperação.
A Casas Bahia registrou um prejuízo superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre, resultante de um plano de redimensionamento da operação que envolveu o fechamento de 298 lojas. Este movimento é uma resposta ao momento desafiador que o setor enfrenta e a companhia não descarta a possibilidade de um novo pedido de recuperação extrajudicial ou judicial.
“Diante de um ambiente macroeconômico e de crédito mais desafiador, a companhia avança para a fase 2 do plano de transformação, redimensionando sua operação, impactando o resultado líquido através de efeitos contábeis não recorrentes em R$ 9,1 bilhões, sem efeito caixa no trimestre”, afirmou a companhia em seu balanço divulgado na madrugada de domingo.
A apresentação do balanço da empresa foi adiada duas vezes, culminando na divulgação dos dados no dia 16 de agosto. A empresa também anunciou um corte de 30% em sua base de funcionários, conforme informações veiculadas na imprensa.
O plano de transformação iniciado em 2023 visa implementar medidas operacionais e financeiras que buscam melhorar a eficiência, rentabilidade e geração de caixa. Ao mesmo tempo, a companhia tem adotado iniciativas para adequar seu balanço e sua estrutura de capital. No ano anterior, ações foram tomadas para reduzir parte do endividamento financeiro e contribuir para o alongamento do perfil de vencimentos.
Com a evolução das condições operacionais, financeiras e de mercado, a administração acelerou o plano, iniciando uma nova etapa focada na geração de caixa, redução da necessidade de capital empregado e melhoria da eficiência operacional. A companhia destaca que a combinação de crédito mais restritivo e um ambiente de consumo mais fraco tornou urgente o redimensionamento de suas lojas.
O fechamento das lojas deficitárias tem como objetivo melhorar as margens de contribuição e aumentar a participação do carnê nas lojas que permanecerem abertas. “Com os fechamentos das lojas deficitárias, a média do parque de lojas remanescente aumentará em 1,4 p.p.”, indicou a empresa.
A nova etapa do plano também inclui a reorientação dos canais digitais, adequação dos estoques e do capital de giro, bem como a redução estrutural de custos, despesas e investimentos. Além disso, a gestão da liquidez e a redução do custo financeiro são prioridades, assim como a busca por alternativas de estrutura de capital.
Entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026, a companhia trabalhou em conjunto com assessores na avaliação de alternativas nos mercados de dívida e equity. Reuniões e roadshows com potenciais investidores ocorreram no Brasil e no exterior, mas a captação relevante não foi concretizada devido à desistência do investidor âncora.
“As condições dos mercados financeiro e de capitais tornaram-se mais adversas e voláteis, em ambiente marcado pelo aumento das incertezas econômicas e geopolíticas globais e por alterações nas condições financeiras internacionais”, finalizou a companhia.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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