Sem o marido, mulher enfrenta dificuldades financeiras após execução no aeroporto de Guarulhos. Ela depôs nesta segunda e revelou o impacto da perda na rotina da família.
A viúva do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, que foi assassinado durante a execução do empresário e delator Vinicius Gritzbach, depôs no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026. Em seu depoimento, ela compartilhou as dificuldades emocionais e financeiras que enfrenta desde a morte de seu marido.
“Ele me ajudava a pagar o aluguel. Ele era muito provedor. Antes eu não tinha essa preocupação, mas, hoje, tenho dificuldades para pagar o aluguel e até os óculos do meu filho”, revelou a viúva, que teve seu nome preservado durante o depoimento.
No dia 8 de novembro de 2024, Celso estava apenas passando pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos quando homens encapuzados desceram de um carro e começaram a disparar em direção a Gritzbach, que foi assassinado no local. Infelizmente, Celso também foi atingido, levando a um desfecho trágico.
Durante a audiência, a viúva não conseguiu conter as lágrimas ao relatar como seu filho pergunta constantemente:
“Por que tiraram o meu pai de mim?”
Essa pergunta, que ecoa na vida da criança, ressalta a dor da perda e os desafios que a família enfrenta no dia a dia.
Celso foi atingido por um tiro no rim, e estilhaços de bala afetaram seu fígado, levando à sua morte um dia após o trágico incidente. Um perito criminal, que também prestou depoimento, informou que pelo menos 27 projéteis foram disparados no dia do crime.
Três policiais militares estão sendo julgados pelos assassinatos: o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues. Os réus, que estão presos no Presídio Militar Romão Gomes, enfrentam acusações de envolvimento direto na execução de Gritzbach e na morte de Celso.
Os policiais compareceram ao Fórum para acompanhar o julgamento, que se estenderá por cinco dias. O processo judicial permitiu que as primeiras testemunhas de acusação fossem ouvidas sem a presença dos réus, em um pedido que visa garantir a segurança e o conforto dos depoentes.
Entre as duas primeiras testemunhas estava um homem que trabalha no aeroporto e foi ferido na mão por estilhaços, e uma mulher que foi atingida na barriga enquanto aguardava um carro de aplicativo. Ambas afirmaram que não conheciam os envolvidos e foram surpreendidas pelos disparos.
Gritzbach, que enfrentava acusações de homicídio e estava ligado a esquemas de lavagem de dinheiro pelo PCC, havia recentemente assinado uma delação premiada, entregando nomes de pessoas associadas à organização criminosa e denunciando casos de corrupção envolvendo policiais.
A acusação é liderada pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes, que convocaram dez testemunhas para este caso. Até o momento, quatro já prestaram depoimento, incluindo a viúva e um dos peritos da investigação. As testemunhas de defesa serão ouvidas após o término dos depoimentos da acusação.
O júri popular é composto por sete jurados, selecionados entre a população, e após a fase de depoimentos e debates, eles decidirão sobre a condenação ou absolvição dos três policiais.
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