Na última quinta-feira, 28 de maio de 2026, em uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo, Claudio Pires, sócio-diretor de investimentos da MAG Investimentos, apresentou um panorama desafiador para a economia brasileira até o final do ano. Ele deixou claro que, independentemente de quem vença as eleições de outubro, um ajuste fiscal será inevitável.
“Qualquer um que seja eleito terá que ajustar o fiscal”, afirmou Pires, com a firmeza de quem gere cerca de R$ 20 bilhões e não tem tempo a perder. Essa declaração ecoou entre os presentes, reafirmando a urgência de uma postura rigorosa em relação às finanças públicas.
Pires destacou que, ao lidar com a questão fiscal de maneira mais rigorosa, o mercado poderá precificar uma curva de juros mais baixa, resfriando a economia e facilitando o trabalho do Banco Central. Essa visão pragmática, embora pouco animadora, reflete um diagnóstico que o mercado financeiro tem repetido há meses, mas que raramente é expresso com tanta clareza.
“O Brasil chega à beira do precipício, olha e volta para trás, fazendo a sua lição de casa”, comparou Pires, ressaltando a resiliência perversa do país em relação à sua estrutura fiscal.
A análise da MAG Investimentos também aborda a fragilidade do arcabouço fiscal brasileiro, que possui diversas exceções à regra. Segundo Pires, essas exceções somam quase 1% do PIB, tornando a meta de déficit zero, na prática, de -1%. Com a taxa Selic a 14,5%, o custo de carregar a dívida pública se torna exorbitante, desequilibrando ainda mais as contas do governo.
“Não adianta um [Banco Central] puxar para um lado e o governo federal puxar para o outro”, enfatizou Pires, sublinhando a necessidade de uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária.
Além disso, a MAG projeta que a Selic deverá permanecer em torno de 14% até o final de 2026, mesmo que haja espaço para algumas reduções ao longo do ano. Pires argumentou que a alta dos juros em outras partes do mundo torna desafiador um ciclo contrário no Brasil.
“Juros altos é uma infelicidade para o país”, afirmou, alertando que a atratividade do Brasil para investidores diminui com taxas de retorno elevadas e sem risco.
Apesar das dificuldades, a MAG não prevê recessão, projetando um crescimento de 2% do PIB, apoiado pelo consumo das famílias e medidas de estímulo do governo. No entanto, Pires alertou que esse crescimento é insustentável a longo prazo e pode gerar pressões inflacionárias. Ele projetou que o IPCA deve fechar o ano em 5%.
No cenário político, a MAG ajustou suas expectativas para a reeleição do presidente Lula, destacando que a oposição tem enfrentado dificuldades. “Acredito que a oposição deu várias derrapadas”, observou Pires, refletindo sobre como as mudanças nas pesquisas eleitorais impactam a percepção dos investidores.
Por fim, a coletiva também abordou a recente aprovação da PEC que extingue a escala 6×1, um tema que não pôde ser ignorado. A mensagem central é clara: o mercado financeiro, mais do que o eleitorado, será quem exigirá a disciplina fiscal que todos os candidatos evitam prometer.

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