Um mês antes de ser alvo da PF, o senador Jaques Wagner fez declaração que agora repercute. Em maio, ele defendeu sua conduta ética no Senado ao comentar o escândalo do Banco Master.

Um mês antes de se tornar alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 18, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que “na Bahia não nasceu nenhum trambique”. Na ocasião, ele comentou o escândalo que envolve o Banco Master.
A declaração foi dada em 13 de maio, durante discurso no plenário do Senado, quando o petista reagiu à divulgação de um suposto áudio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em conversa com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
“Não sou mais honesto que ninguém, mas tenho meu código de ética. Não tenho sequer CNPJ. Na Bahia não nasceu nenhum trambique”, disse Wagner, que é o líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. “O escândalo nasceu no governo anterior, quando o Banco Central, que deveria fiscalizar, não fiscalizou e permitiu que se fizesse talvez o maior rombo da história bancária deste país.”
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Na ocasião, Wagner disse ter sido surpreendido pelo conteúdo e afirmou que a gravação revelava uma relação de “proximidade” e “intimidade” entre os dois.
“Para mim, é uma surpresa, porque não tinha a menor noção de que eles tinham uma relação seguramente de proximidade ou de intimidade”, declarou. “Porque ninguém pede a um estranho R$ 130 milhões ou R$ 140 milhões, seja para o que for.”
Durante o pronunciamento, o senador rejeitou tentativas de associar a Bahia ao caso e sustentou que a origem do problema remonta ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Wagner também criticou a atuação do Banco Central sob a gestão de Roberto Campos Neto.
“O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a presidência do senhor Roberto Campos Neto”, reclamou Jaques Wagner. “A gênese está no governo de Jair Messias Bolsonaro, não na Bahia.”
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Segundo o líder do governo no Senado, a participação do governo baiano no caso limitou-se à privatização da rede de supermercados Cesta do Povo, medida que classificou como uma decisão administrativa para interromper prejuízos aos cofres públicos.

Operação mira relação com o Banco Master
Além de Jaques Wagner, a operação teve como alvo o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. É a primeira vez que a Operação Compliance Zero alcança um integrante do núcleo político mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a PF, há indícios de que o senador tenha recebido vantagens para atuar em favor dos interesses do Master no Congresso Nacional. Entre os elementos investigados estão um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, pagamentos realizados por meio de uma empresa ligada à mulher de seu enteado e viagens frequentes em aeronaves utilizadas por Vorcaro.
Conforme revelou Oeste em reportagem anterior sobre Augusto Lima, em 10 de abril, a investigação já apontava para a proximidade entre o empresário e importantes lideranças políticas da Bahia, incluindo figuras ligadas aos governos petistas no Estado, como Jaques Wagner e o ex-ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, investigadores encontraram mensagens trocadas entre Wagner e Augusto Lima, além de documentos relacionados a pagamentos de cerca de R$ 11 milhões feitos pelo Master à empresária Bonnie Bonilha, mulher do enteado do senador, por meio de contratos de consultoria.
A PF também apura se Wagner atuou com o governo federal para favorecer a compra do Banco Master pelo BRB e para apoiar a chamada “emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que ampliava limites de cobertura para determinados investimentos.
Augusto Lima já havia sido alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado. Nesta nova etapa, agentes cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao empresário em Brasília, São Paulo e Bahia.
A assessoria de Jaques Wagner e a defesa de Augusto Lima não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.
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