IBV Auto, do banco BV, registrou queda de 0,01% em agosto, a menor variação mensal desde abril de 2024. No acumulado de oito meses, os preços subiram 3,55%, abaixo dos 3,74% do mesmo período de 2025.
O mercado de carros usados já começa a mostrar sinais de desaceleração neste início do segundo semestre de 2026. Em agosto o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha os preços dos automóveis leves usados, registrou ligeira queda de 0,01%. Na prática, os preços ficaram estáveis, mas essa foi a menor variação mensal desde abril de 2024 e veio depois de uma alta de somente 0,07% em julho.
Com essa perda de fôlego, o mercado acumulou nos oito primeiros meses do ano alta de 3,55% nos preços dos usados, abaixo dos 3,74% registrados no mesmo intervalo de 2025. A perda de força aparece mais fortemente no acumulado em 12 meses, com a valorização, que estava em 6,10%, desacelerando para 5,12%. Se os próximos meses permanecerem dentro desse padrão, essa taxa tende a cair novamente, porque a comparação passará a incorporar meses de altas mais fortes registrados a partir de setembro do ano passado, conforme o IBV.
“A ligeira queda de agosto, após o avanço modesto de julho, confirma a perda de ritmo dos preços dos carros usados. A desaceleração da atividade, a Selic em patamar restritivo e a forte concorrência no mercado de veículos novos ajudam a explicar esse movimento, ainda que com alguma defasagem.”
O economista-chefe do banco BV relaciona fatores macroeconômicos e dinâmicas do setor automotivo para explicar a desaceleração. Na prática, juros mais altos, atividade econômica menos aquecida e promoção de preços no zero-quilômetro pressionam a capacidade de repasse de valor pelo mercado de usados.
Uma dimensão que chama atenção é a desvalorização dos veículos eletrificados. Enquanto os preços dos automóveis usados em geral ainda acumulam valorização de 5,12% em 12 meses, os veículos elétricos enfrentam perda de valor muito mais intensa na revenda. Entre os modelos ano 2023, a depreciação acumulada até agosto chega a 46,15%, mais que o dobro dos 21,72% registrados por carros a combustão comparáveis; os híbridos ficam no meio do caminho, com perda de 26,36%.
Esse movimento ocorre justamente quando os eletrificados ganham rapidamente espaço entre os carros novos vendidos no país. De janeiro a julho, foram comercializadas 271.091 unidades eletrificadas, volume que já supera em 21% todas as vendas do segmento durante 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em julho, esses veículos chegaram a 22% do mercado brasileiro de leves. Em julho, a ABVE registrou 56.074 unidades vendidas, alta de 195% sobre as 15.525 registradas um ano antes.
A expansão da oferta, a chegada de novas marcas e modelos — especialmente de fabricantes chineses — e a forte disputa de preços no zero-quilômetro explicam por que um elétrico pode envelhecer comercialmente mais rápido. O próprio histórico do IBV Auto mostra que, em junho, os elétricos 2023 já acumulavam depreciação de 46,1%, praticamente o mesmo patamar observado em agosto, associado à queda dos preços dos elétricos novos.
Há, porém, uma ressalva importante: a cesta do IBV Auto acompanha modelos ano 2023 e ainda possui participação reduzida de vários veículos chineses lançados mais recentemente no Brasil. O desempenho dessa safra não pode ser automaticamente projetado sobre elétricos chegados mais tarde; levantamentos de mercado indicam diferenças significativas entre modelos. Para compradores e vendedores, a lição prática é clara: avaliar a idade tecnológica, concorrência e o ritmo de lançamento de modelos ao precificar ou planejar a troca de um veículo.


Fonte: InfoMoney – Mercado
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