João Carlos Mansur, fundador da Reag, foi indiciado com outras 12 pessoas por gestão fraudulenta, lavagem e organização criminosa. A PF diz que recursos vieram da sonegação no setor de combustíveis; a defesa não comentou.
A Polícia Federal indiciou o fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur, e outras 12 pessoas por crimes financeiros relacionados a um esquema de sonegação no setor de combustíveis. O indiciamento envolve acusações de gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa, segundo a apuração policial. A defesa de Mansur não se manifestou.
“Recursos de origem espúria, provenientes de sonegação fiscal e de demais ilícitos praticados no setor de combustíveis pelo grupo econômico formado pela Aster Petróleo Ltda. e pela Copape Produtos de Petróleo Ltda., foram introduzidos no Sistema Financeiro Nacional por intermédio de instituição de pagamento que operava contas bolsão sem identificação dos titulares, e, a partir dela, integrados a estrutura de fundos de investimento encadeados em cascata, administrados por três distribuidoras de títulos e valores mobiliários”
A Polícia Federal escreveu essa conclusão na parte final do relatório, apresentado na semana passada. Além de Mansur, foram indiciados gestores de outras empresas do mercado financeiro apontadas na investigação, entre as quais a Trustee Distribuidora e a BK Instituição de Pagamento.
O relatório descreveu o uso de “contas bolsão” em uma instituição de pagamento para ocultar a titularidade de recursos, que teriam origem em sonegação fiscal e outros ilícitos praticados por empresas do setor de combustíveis ligadas a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e por integrantes da facção PCC. Esses recursos teriam sido depois integrados em uma cadeia de fundos administrados por distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
Recentemente, Mansur fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e entregou documentos relativos aos fundos envolvidos nessas transações e em outras operações financeiras. A delação foi enviada no fim do mês passado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. No entanto, diante dos desdobramentos da crise no STF, o acordo não foi ainda homologado e, por isso, não ganhou validade jurídica como meio de prova.
O texto do relatório e os encaminhamentos ainda esbarraram em dúvidas no STF sobre o andamento de processos que estavam sob relatoria de Mendonça e que estão vinculados à Operação Compliance Zero, motivo pelo qual o assunto não foi resolvido.
Para agentes de mercado e gestores, o caso reforçou a importância de controles robustos e de due diligence sobre provedores de serviços financeiros. Para investidores e administradores, tornou-se um lembrete de que estruturas que permitem a opacidade da titularidade de contas e de fluxos entre fundos demandam atenção regulatória e operacional contínua.
O indiciamento formalizou as suspeitas e abriu caminho para novas etapas processuais, mantendo em foco a investigação sobre a origem e a circulação dos recursos no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

Fonte: InfoMoney – Mercado
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