Flávio liderou o primeiro turno com 47,03% frente a 45,16% de Lula, mas a disputa segue aberta. Pesquisas mostram empate técnico e apontam que o comparecimento às urnas pode decidir o vencedor.
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidem neste domingo quem governará o Brasil a partir de 5 de janeiro de 2027, numa disputa marcada por alta tensão, trocas de acusações e incerteza nas pesquisas. O resultado do primeiro turno, disputado há três semanas, mostrou Flávio em vantagem, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula, mas levantou um segundo turno aberto, no qual o comparecimento dos eleitores pode ser determinante.
Pesquisas divulgadas na véspera da votação mostraram empate técnico, com vantagem numérica de Flávio por até dois pontos nos votos válidos, projetando 51% a 49%. O cenário levou as campanhas a focarem mobilização e presença nas seções eleitorais, enquanto analistas sinalizam que a tendência observada nas pesquisas pode indicar movimentações de última hora.
O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tem como pagar, é muita generosidade, é muito carinho, é muito amor e eu serei eternamente grato ao comportamento do povo
O petista afirmou essa declaração a jornalistas após votar na manhã deste domingo em São Bernardo do Campo (SP). Lula, que completará 81 anos na próxima terça e busca um quarto mandato, viu nos últimos dias um crescimento gradual nas intenções de voto, impulsionado por mobilização em redes sociais e atos de rua.
Um dos motores dessa reação foi o canal de WhatsApp conhecido como Exército do Lula, criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que mobilizou mais de 10 milhões de pessoas em missões digitais. A ação gerou disputas jurídicas entre as campanhas, incluindo pedidos de suspensão encaminhados ao tribunal eleitoral.
Do lado de Flávio, após a liderança surpreendente no primeiro turno, o senador ampliou sua agenda de atos pelo país e fez apelos públicos pelo comparecimento às urnas. Entre suas declarações durante a campanha, houve menções à intenção de propor mudanças constitucionais em caso de vitória, como fim da reeleição e redução da maioridade penal, além de sinais de mudança de posição em pautas trabalhistas já votadas no Senado.
Faça chuva ou faça sol, bora sair de casa para votar, que o Brasil vai mudar e o Brasil vai vencer
Chegou a hora da mudança de verdade
No primeiro turno, mais de 33,4 milhões de eleitores não foram às urnas, uma abstenção de 21,08% entre os mais de 158,7 milhões de eleitores aptos, número que voltou a entrar na equação das campanhas como fator estratégico. Analistas apontam que, historicamente, eleitores mais inclinados a apoiar Lula tiveram taxas de comparecimento menores, e por isso a mobilização para reduzir a abstenção foi tema central nas duas campanhas.
O cientista político Carlos Melo, do Insper, avaliou o quadro das pesquisas e as tendências de intenção de voto, destacando que Flávio aparece com ligeira vantagem, mas sem favoritismo claro.
Flávio é ligeiramente favorito, ele não é francamente favorito
Além da mobilização de bases e do emprego intenso de recursos digitais, a campanha foi marcada pela judicialização de disputas eleitorais no tribunal superior, com pedidos e contestações entre as duas coligações e alertas por parte da Presidência da corte para moderação nas ações. Especialistas advertem para a possibilidade de embates persistirem mesmo após a declaração do resultado, especialmente se a margem for estreita.
Para eleitores e observadores, o domingo será decisivo não apenas pelo conteúdo das mensagens de campanha, mas pela capacidade de transformar intenções em votos na urna. Em um pleito tão dividido, o desempenho do comparecimento, em especial nas regiões onde cada candidato teve melhor desempenho no primeiro turno, tende a definir o vencedor.
Fonte: InfoMoney – Mercado
Siga o Ensinando a Vencer e receba nossos conteúdos em primeira mão.






